URUCUM 6 de abril de 2020 – Tags:

Nome científico: Bixa orellana

Nomes populares: urucu ou urucum. Em cultura lusófona, chama-se ainda açafroa e também colorau (forma imprópria, pois designa especificamente o condimento e o corante preparados à base de sementes trituradas, puras ou misturadas a outras). Em outras culturas, chama-se orleansstrauch (alemão), achiote ou onoto ou bijol (espanhol), rocou (francês), e achiote ou annato (inglês).

Família botânica: Bixaceae

CARACTERÍSTICAS GERAIS

O urucu ou urucum é o fruto do urucuzeiro ou urucueiro, arvoreta da família das bixáceas, nativa na América tropical, que chega a atingir altura de até seis metros. Apresenta grandes folhas de cor verde-claro e flores rosadas com muitos estames. Seus frutos são cápsulas armadas por espinhos maleáveis, que se tornam vermelhas quando ficam maduras. Então se abrem e revelam pequenas sementes dispostas em série, de trinta a cinquenta por fruto, envoltas em arilo também vermelho.

Etimologia – “Urucu” e “urucum” originam-se do tupi transliterado uru’ku, que significa “vermelho”, numa referência à cor de seus frutos e sementes.

COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO URUCUM

As sementes do urucu contêm celulose (40 a 45%), açúcares (3,5 a 5,2%), óleo essencial (0,3% a 0,9%), óleo fixo (3%), pigmentos (4,5 a 5,5%), proteínas (13 a 16%), alfa e betacarotenos e outros constituintes.

Possuem, também, dois tipos de pigmentos: bixina, de cor vermelha, solúvel em óleo; orelhena, de cor amarela, solúvel em água.

Cada 100 g de ucucum contêm: 7 mg de cálcio, 0,8 mg de ferro, 10 mg de fósforo, 15 µg de vitamina A, 0,05 mg de vitamina B2, 0,03 mg de vitamina B3 e 2 mg de vitamina C.

CONTEXTO CULTURAL E HISTÓRICO

O urucum é utilizado tradicionalmente pelos índios brasileiros (juntamente com o jenipapo, de coloração preta) e peruanos, como matéria-prima para tinturas vermelhas, usadas para os mais diversos fins, entre os quais protetor da pele contra o sol e contra picadas de insetos. A pintura do corpo também carrega o simbolismo de agradecimento aos deuses pelas colheitas, pela pesca ou pela saúde do povo. No Brasil, a tintura de urucu em pó é conhecida como colorau, sendo usada na culinária para realçar a cor dos alimentos. Esta espécie vegetal ainda é cultivada por suas belas flores e frutos atrativos. Afirma-se (carecendo de comprovação científica) que, ao passar urucu na pele, este penetra nos poros e, ao longo do tempo, a pele adquire uma tonalidade avermelhada constante e definitiva. Isso acontece pois os poros se entopem de urucu e não conseguem mais eliminá-lo.

O urucum é um produto nativo das Américas, que foi levado para Europa desde o século XVII, sendo mundialmente empregado como corante de diversos fins, principalmente na indústria alimentícia. Com o banimento do uso de corantes alimentícios artificiais na União Europeia, por supostos efeitos cancerígenos, o urucum passou a ser intensamente importado da América tropical e da África.

USO DO URUCUM NA CULINÁRIA

Como condimento e também colorante, emprega-se sob a forma de pó obtido por trituração das sementes, usualmente misturadas com outros grãos também triturados, devido ao arilo que envolve as sementes, que fornece matéria corante vermelha característica, sendo empregado na casca dos queijos leyden e queijo-do-reino, entre outros. É apreciado pela quase ausência de sabor e por não apresentar os efeitos prejudiciais dos corantes artificiais. Também é muito usado na culinária mexicana como condimento chamado achiote, em pratos como “cochinita pibil” e “carnitas”, entre outros.

USO MEDICINAL DO URUCUM

Como medicamento fitoterápico, o urucum é dotado de inúmeras características e propriedades bioquímicas, que lhe dão aplicação em vasta gama de casos. Embora, sob o ponto de vista científico, ainda seja objeto de estudos visando a estabelecer um rol preciso de aplicações, atribuem-se efeitos fitoterápicos às folhas e às sementes do urucum:

  • São dotadas de virtudes expectorantes em geral;
  • Úteis nas afecções diversas, principalmente do coração;
  • Eficazes na eliminação de manchas e verrugas(a tintura das sementes aplicada sobre a pele elimina manchas brancas, verrugas, e rejuvenesce a pele);
  • Eficazes para alívio e redução da prisão de ventre, hemorroidas e hemorragias (chá das folhas).
  • As sementes podem ainda, segundo informações coletadas entre os indígenas, ser usadas como repelente natural de insetos.

Na cosmética, o urucum é empregado pelos índios no preparo de tinturas para pintar o corpo, com a finalidade de proteção contra o rigor do sol (confere proteção contra radiação ultravioleta).

O óleo de urucum é rico em tocotrienol, betacaroteno, óleo essencial, óleo fixo, ácidos graxos saturados e insaturados, flavonoides e Vitamina C. É usado em diversas formas cosméticas, sendo facilmente incorporado em cremes, loções cremosas, bronzeadores, protetores solares e protetores labiais. Atua reestruturando os cabelos e auxilia na proteção contra os raios ultravioletas, apresentando ainda alta atividade antioxidante e de redução do colesterol, podendo, para aproveitamento dessas propriedades, ser utilizado em suplementos nutricionais.