

Parceria busca controle sustentável da mosca-das-frutas em maçãs e uvas no RS
Foto: DivulgaçãoA Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) e a Empresa Brasileira em Pesquisa Agropecuária Uva e Vinho (Embrapa Uva e Vinho), de Bento Gonçalves, assinaram convênio, nesta quarta-feira (18), para a execução do projeto “Supressão populacional da mosca-das-frutas sul-americana (Anastrepha fraterculus)”. A supressão se dará por meio da integração das técnicas de liberação de moscas estéreis, parasitoides e iscas tóxicas em pomares de macieira e videira, buscando mitigar a incidência do inseto no Estado.
A Seapi fará o repasse para a Embrapa no valor de R$ 198.276,30, com duração de seis meses, buscando o aumento do parasitismo da mosca-das-frutas em hospedeiros que são multiplicadores da praga, a redução da captura de moscas-das-frutas pelo uso da captura massal e a capacidade de dispersão de moscas esterilizadas e liberadas nas áreas experimentais.
A mosca-das-frutas sul-americana é uma praga que atinge a fruticultura brasileira e tem incidência na região sul do Brasil. A espécie ocorre em todos os pomares comerciais de maçã e uva, principais frutíferas de clima temperado cultivadas no sul do Brasil, além de frutas de caroço como ameixa, pêssego e nectarina. Também ataca pequenas frutas como amora-preta, framboesa e frutíferas nativas.
Estudos indicam que frutas infestadas pela mosca-das-frutas podem chegar a 100% de danos, caso medidas de prevenção e controle não sejam adotadas. Estima-se que cerca de 50 mil famílias de produtores rurais estejam diretamente envolvidas na produção e na cadeia produtiva dessas frutas, sendo afetados economicamente pelo ataque da praga. Na cultura da macieira, a estimativa é de que as perdas anuais causadas pela ocorrência da mosca-das-frutas alcancem anualmente R$ 25 milhões.
Para o chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, o convênio significa avançar em pesquisa, tecnologia e desenvolvimento para conduzir e finalizar pesquisas em execução há quatro anos, validando o projeto do inseto estéril com controle da mosca-das-frutas. “Na fruticultura do Rio Grande do Sul, esse convênio vai atender duas grandes culturas de importância econômica que são a uva e a maça. É uma técnica limpa e moderna que não impacta no meio ambiente, no produtor e no consumidor, por isso é de extrema importância o que estamos assinando hoje”, ressalta Cargnin.
Alternativas de manejo
Entre as alternativas de manejo está o uso de Inimigos Naturais (parasitóides), a Técnica do Inseto Estéril (TIE) e a integração dessas tecnologias com técnicas de atrair e matar a mosca-das-frutas com iscas tóxicas, as quais são consideradas tecnologias “limpas”, visto que não deixam resíduos nos frutos, não são tóxicas e possuem mínimo impacto negativo ao ambiente.
Paralelamente devem ser continuadas pesquisas buscando identificar moléculas que apresentem ação sobre adultos/larvas e novos semioquímicos tanto para o monitoramento como para uso em iscas tóxicas para controle de adultos.