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O combate ao greening na citricultura brasileira ganhou um novo reforço com a criação do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura – CPA Citros. A iniciativa reúne instituições de referência e tem como foco gerar e difundir conhecimento científico para aprimorar o manejo da principal doença dos citros, o greening.

O CPA Citros atuará a partir de três grandes linhas de pesquisa, que vão desde o entendimento básico da interação entre planta, bactéria e psilídeo (considerando fatores como fisiologia, genética e mudanças climáticas) até o desenvolvimento de soluções aplicadas para o manejo da doença e a mitigação de perdas nos pomares. Entre os temas estudados estão resistência genética, controle químico, biológico, físico e cultural, além de sistemas de produção, nutrição e avaliação de riscos e impactos econômicos.

Resultado de uma parceria entre Fundecitrus, Fapesp e Esalq/USP, o também terá forte atuação na formação de profissionais e na transferência de tecnologia, com cursos, seminários, treinamentos e eventos voltados aos citricultores, fortalecendo a aplicação prática dos avanços científicos no campo.

Conheça os três pilares de pesquisa do CPA Citros

Fapesp, Esalq/USP e Fundecitrus oficializam a criação do CPA, em Piracicaba (SP)

Representantes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP) e do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) assinaram, nesta segunda-feira (12), em Piracicaba (SP), o convênio que formaliza a criação do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura – CPA Citros, uma parceria estratégica público-privada em benefício de um dos maiores setores produtivos do agronegócio nacional.

O CPA Citros nasce com a missão de desenvolver soluções científicas e tecnológicas para enfrentar os principais desafios fitossanitários da citricultura, especialmente o greening, além de fortalecer a sustentabilidade da cadeia produtiva. O centro se consolida como a maior rede de inteligência já formada no mundo para o combate à doença. A iniciativa prevê um investimento de R$ 90 milhões nos próximos cinco anos, aportados pelo Fundecitrus, com apoio dos citricultores e das indústrias de suco de laranja, e pela Fapesp, com recursos provenientes do governo do Estado de São Paulo.

O centro reunirá pesquisadores de diferentes instituições e nacionalidades, promovendo uma atuação integrada e em rede para acelerar descobertas e gerar inovação aplicada ao campo. As pesquisas terão foco na interação entre planta, patógeno e vetor, no desenvolvimento de estratégias de manejo mais eficazes e na formação de novos especialistas em citricultura.

Segundo o diretor-executivo do Fundecitrus, Juliano Ayres, o CPA é um marco da pesquisa colaborativa no agronegócio. “O centro reúne instituições de excelência para enfrentar de forma estratégica o greening. É uma iniciativa grandiosa, por adotar um modelo de trabalho em rede que integra alguns dos principais pesquisadores do Brasil e do mundo, atuando de forma contínua e colaborativa na busca por soluções para um problema que causa impactos severos à produção de citros em diferentes países”, afirma.

Ayres também ressalta que a solução para a doença virá desse centro. “Temos grande expectativa e esperança de avançar significativamente na busca por uma solução para esse problema. Se trabalharmos com união e sabedoria, temos tudo para vencer o greening e manter nossa citricultura saudável e competitiva”, reforça.

Assinatura do convênio entre Esalq, Fundecitrus e Fapesp. Crédito: Denise Guimarães/Esalq USP.

Resultado no campo

Além de gerar conhecimento científico de ponta, o centro terá forte atuação na transferência de tecnologia, aproximando a pesquisa do produtor para acelerar a adoção de soluções inovadoras no campo. O convênio também reforça o papel do Fundecitrus como referência internacional em pesquisa aplicada e como articulador de iniciativas colaborativas em defesa da citricultura brasileira. A assinatura do convênio representa um passo decisivo para o futuro do setor, consolidando uma estrutura robusta e multidisciplinar voltada à proteção dos pomares, à sustentabilidade e à competitividade da citricultura no longo prazo.

Impactos da doença

O Brasil é o maior produtor mundial de laranja e líder global na exportação de suco da fruta. No cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais, a última safra alcançou cerca de 230 milhões de caixas. Apesar da força do setor, o greening segue como a principal ameaça à citricultura. No acumulado das últimas cinco safras, a doença causou a perda equivalente a 102,26 milhões de caixas, com impactos significativos para produtores e indústria. Atualmente, cerca de 47,6% das plantas nos pomares comerciais dessas regiões estão afetadas. “A citricultura tem grande importância para a economia do país e emprega mais de 200 mil pessoas, e o greening impacta diversos setores. Por isso, acreditamos que essa atuação integrada será fundamental para avançar no entendimento da doença e no desenvolvimento de estratégias eficazes de combate”, explica o vice-diretor do CPA Citros, Renato Bassanezi.

Atuação

O CPA Citros é uma rede de inteligência formada por instituições líderes em pesquisa e abrange aproximadamente 75 pesquisadores, de 19 instituições e 36 departamentos de sete países. O centro não possui sede física e será sediado na Esalq/USP, integrando laboratórios no Brasil e no exterior.

Além do Fundecitrus, o centro contará com pesquisadores de outras unidades da USP (Cena, FZEA, FCFRP), UFSCar, Unicamp, Unesp, IAC e Embrapa. Pesquisadores de instituições internacionais, como Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento – Cirad (França), Conselho Superior de Pesquisas Científicas-CSIC (Espanha), Instituto Andaluz de Pesquisa e Formação Agrária, Pesqueira, Alimentar e da Produção Ecológica-Ifapa (Espanha), Universidade da Flórida (EUA), Universidade da Califórnia (EUA), Departamento de Agricultura e Pesca, Governo de Queensland (Austrália), Universidade de Durham (Inglaterra), Universidade de Cambridge (Inglaterra), Universidade de Warwick (Inglaterra) e Universidade do Algarve (Portugal) também atuarão como colaboradores.

Para a pesquisadora da Esalq/USP e diretora do CPA Citros, Lilian Amorim, o centro nasce a partir de uma demanda direta dos citricultores diante da emergência do greening, registrada em 2022 no estado de São Paulo. “Trata-se de uma parceria voltada à pesquisa para a solução de um problema da sociedade, que também atua na educação e na transferência de tecnologia, garantindo que os resultados científicos cheguem rapidamente ao setor citrícola. A Esalq/USP participa de forma expressiva dessas atividades, com mais de uma dezena de professores integrantes do CPA. É um desafio enorme, mas contamos com uma equipe altamente qualificada, capaz de superar esses obstáculos, e esperamos colher frutos dessa parceria em breve”, destaca.

Assinatura do convênio entre Esalq, Fundecitrus e Fapesp. Crédito: Denise Guimarães/Esalq USP.

Durante o evento, o presidente da Fapesp, Marco Antônio Zago, relembrou que a parceria entre a FAPESP e o Fundecitrus é histórica. “As duas instituições já foram parceiras no projeto Genoma, que, em 2000, sequenciou pela primeira vez o genoma da bactéria Xylella fastidiosa, causadora do amarelinho, impulsionando a pesquisa em biotecnologia no Brasil. Estamos falando de uma aliança entre pesquisadores, citricultores e órgãos de Estado para resolver um problema grave da citricultura”, enfatiza Zago.

A cerimônia também contou com a presença do secretário-executivo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Dr. Alberto Amorim, que destacou a relevância do CPA Citros para o setor citrícola. “O centro é uma iniciativa fundamental porque rompe fronteiras e paradigmas, reunindo pesquisadores e especialistas de diferentes áreas, criando uma verdadeira rede global de conhecimento. Esse modelo colaborativo permitirá não apenas avançar no controle do greening, mas também fortalecer a inovação, a transferência de tecnologia e a sustentabilidade dos pomares paulistas”, diz.

O presidente da Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), José Baldin Pinheiro, esteve presente na cerimônia e destacou a importância da parceria. “A Fealq, como fundação credenciada junto à USP para apoio e gestão de projetos, será responsável pela administração dos recursos do Fundecitrus e da FAPESP. Os 50 anos de experiência da Fealq proverá, dentro de toda legalidade, as condições necessárias para que os projetos sejam executados com tranquilidade e contribuam para enfrentar o problema que afeta a citricultura”, ressalta Baldin.

Também participaram do evento o diretor da FAPESP, Márcio de Castro Silva Filho; a diretora da Esalq, Thais Maria Ferreira de Souza Vieira; o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Junior, além de pesquisadores e engenheiros-agrônomos das instituições envolvidas. Cerca de 100 pessoas participaram da cerimônia.

Fonte: Fundecitrus

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