10/2019 – FRUTAS ORGÂNICAS 16 de março de 2019

Todafruta – Boletim Frutícola Nº10 – Data: 15/03/2019 Editor: Luiz Carlos Donadio/ Co-editora: Nicole Donadio Coordenador: Carlos Ruggiero                                              

BOLETIM 10/2019

FRUTAS ORGÂNICAS

                                                                   Luiz Carlos Donadio & Nicole Donadio

          Nos últimos 50 anos, a produção de alimentos orgânicos tem aumentado consideravelmente. Desde 1972, quando foi publicado o Relatório de Roma, que reconhecia que nosso planeta não teria matéria-prima e energia para que a população adotasse os padrões de consumo predominantes nos países desenvolvidos. Definidos como produtos saudáveis, com bom teor nutricional, livres de contaminantes. Esses podem pôr em risco a saúde humana do consumidor e do produtor rural, e o meio ambiente. Uma Legislação Brasileira de 2007, objetiva, pela agricultura orgânica, a autossustentação da propriedade agrícola, a maximização dos benefícios sociais e a produção e a oferta de produtos saudáveis. Embora válidos para produtos vegetais e animais, os primeiros têm sido mais explorados, pois são mais fáceis de não utilizar agrotóxicos e fertilizantes sintéticos, além de outros produtos. Dentre os vegetais, predomina a produção de orgânicos de cereais, frutas e legumes. Na área animal, a produção de ovos é a maior.

Há controvérsias sobre o maior valor nutricional dos orgânicos, mas o fato é que são produzidos em ambiente e de solos mais equilibrados, sendo ricos em minerais e fitoquímicos, além de não conter excesso de alguns contaminantes, como os nitratos, oriundos dos adubos químicos e, principalmente, agrotóxicos. Reconhecidos como mais saudáveis, pois sem agrotóxicos e adubos, podem, no caso de animais, não conter outros contaminantes, como hormônios e antibióticos, mostrados inicialmente em pesquisas, realizadas em São Paulo pelos Institutos Biológico e Ital, nas décadas de 70 e 80.

Dentre os produtos orgânicos produzidos no Brasil, as frutas que se destacam são a maçã e cítricos no RS, e em SC, que produz também banana e kiwi. Banana, No PR, cacau na Bahia, frutas secas e laranja em SP, além de outras, e frutas tropicais e caju, no Nordeste, e guaraná, na Amazônia. A produção em larga escala de frutas orgânicas ainda não foi alcançada, o que leva a ter preços maiores e oferta limitada, sendo produtos consumidos pelas classes mais abastadas, ou grupos mais bem informados sobre suas qualidades, principalmente em relação à sua sanidade e benefícios à saúde.  Grande parte da produção nacional ainda é exportada. Seu custo maior também é creditado à necessidade de certificação, por órgãos como Ongs, empresas, e a ABNT, embora necessária, para dar garantia ao consumidor. Muitas outras frutas poderiam ser produzidas no sistema orgânico, principalmente as nativas, que têm, no geral, menor ocorrência de doenças e pragas, pela maior adaptação ao ambiente.

Segundo pesquisa Market Analysis e Organis, de 2017, no Brasil, 15 % da população das grandes capitais consomem algum produto orgânico, com as frutas sendo, ao lado das verduras e legumes, os principais produtos consumidos. O benefício à saúde é o principal motivo de compra, sendo o preço o empecilho maior, além da dificuldade de acesso. A região sul é o principal produtor e consumidor de orgânicos. A banana é a principal fruta consumida, seguida pela maçã.