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APLICAÇÃO DE FEROMÔNIOS NO CONTROLE DE PRAGAS

O TodaFruta agradece a colaboração da Dra Arlene Gonçalves Correa (agcorrea@power.ufscar.br), professora na Universidade Federal de São Carlos - UFSCAR / SP.
Aplicação de Feromônios no Controle de Pragas
A competição por alimentos entre o homem e os insetos certamente tem levado a uma grande batalha quase sempre perdida pelo primeiro.1 Tradicionalmente o controle de insetos pragas é feito através do uso de inseticidas (organoclorados e/ou fosforados), porém esses apresentam uma série de inconvenientes tais como alto custo, riscos de intoxicação, resÃduos em alimentos, desenvolvimento de resistência das pragas, surgimento de pragas secundárias e, principalmente a contaminação ambiental. A solução para o controle de insetos pragas está vinculada ao desenvolvimento de agentes altamente especÃficos, que viessem a atingir apenas as espécies alvo, eliminando os efeitos negativos causados por pesticidas. Sob tais aspectos, os feromônios ocupam lugar de destaque .2
Os principais métodos para a aplicação de feromônios, especialmente feromônios sexuais, no controle biorracional de insetos-pragas, são monitoramento, coleta massal e confundimento3-5.
Monitoramento
Como os feromônios são únicos, isto é, cada espécie tem um feromônio sexual especÃfico, eles podem ser empregados para se determinar o tamanho da população de uma praga. Armadilhas contendo o feromônio sexual apropriado são colocadas no campo, com proteção contra a luz e o oxigênio, com o propósito de atrair insetos de sexo oposto daquela espécie. A observação periódica destas armadilhas fornece informações precisas relativas ao tamanho da população da praga, onde ela está localizada, quando exatamente começou a aparecer, etc. Estas informações auxiliam então na decisão de quando se deve aplicar o inseticida na plantação, em qual parte dela e ainda que tipo de inseticida e em qual concentração ele deve ser aplicado.
Esta técnica não elimina o uso de pesticidas convencionais, porém reduz a quantidade de inseticidas aplicado no campo e a área de aplicação. O monitoramento eficiente torna possÃvel coincidir o inÃcio da aplicação de inseticida com o inÃcio do aparecimento da praga ou com o auge do ataque da mesma. O feromônio atua como um detector sensÃvel, que pode ser empregado no uso racional de pesticidas. Esta técnica é usada mundialmente para uma variedade de culturas.
Coleta Massal
A idéia básica desta técnica é a de que armadilhas espalhadas pela plantação assegurem a captura em massa de insetos, impedindo significantemente o acasalamento e consequentemente a reprodução dos mesmos. Como resultado tem-se a diminuição do uso de produtos quÃmicos, e em alguns casos, a necessidade do tratamento quÃmico é completamente eliminada. Alguns exemplos de pragas, que têm sido controladas usando esta técnica, são: a lagarta do algodão egÃpsio em Israel, que ataca várias culturas (especialmente algodão, alfafa e legumes); a mariposa do pinheiro na Espanha, uma praga muito grave em pinhos; e o besouro da madeira na Escandinávia, que afeta árvores florestais.
Uma variação desta técnica é a colocação de pesticidas em recipientes conectados às armadilhas contendo o feromônio, eliminando a necessidade de espalhar o inseticida no campo. O inseto é atraido para este recipiente através do feromônio e então entra em contato com o veneno. A eficiência do controle de pragas pelo uso de pesticidas aumenta e a poluição ambiental é diminuida. Este método tem sido usado com sucesso em plantações experimentais de algodão.
Confundimento
Insetos são guiados para uma fonte de feromônio contra o vento, a partir de uma zona de baixa concentração para uma de alta concentração. Se uma zona artificial é criada na qual a concentração de feromônio é constante, uniforme, e maior daquela gerada naturalmente por machos ou fêmeas, então a capacidade individual de detectar ou localizar a fonte de feromônio será significantemente prejudicada. Em outras palavras, o inseto será incapaz de localizar a fonte de feromônio e copular, impedindo assim sua reprodução e consequentemente a perpetuação da espécie.
O mecanismo ou o processo quimiobiológico responsável pela confundimento não está ainda completamente entendido. As evidências existentes ainda indicam várias possibilidades. Uma delas é a trilha falsa: o inseto voa em direção à fonte artificial de feromônio, a qual desprende uma quantidade muito maior de substância(s) quÃmica(s) do que aquela oriunda de uma fonte natural, ocultando esta última. Uma outra possibilidade é o hábito ou a adaptação. Marcado pela dessensibilização do olfato, o efeito produzido é como se os sensores fossem desativados ou perdessem a capacidade de reagir. Talvez todos os sensores das células sensitivas ao feromônio se tornem saturadas por um fluxo ininterrupto de feromônio, tornando-as incapazes de produzir o pulso nervoso requerido. Outra possibilidade é a incapacidade de detectar concentrações diferenciadas de um determinado ponto em direção à fonte natural de feromônios.
Independentemente do mecanismo envolvido, os resultados são a inibição do acasalamento e a posição de ovos não fertilizados, levando a quase completa erradicação da próxima geração da praga. O método do confundimento tem sido empregado em plantações de algodão para controlar a lagarta-rosada, Pectinophora gossypiella (os testes iniciais foram realizados no Egito, Israel e Paquistão e hoje é empregado mundialmente), e também tem sido usado para erradicar pragas que atacam árvores frutÃferas (Europa, Nova Zelândia, Estados Unidos e Australia) e plantações de uva (Europa).
De todos os métodos descritos acima, este último (confundimento) provavelmente se tornará o método de escolha, pois é ecológico, livre de produtos tóxicos, economicamente atrativo e efetivo. Este método já compete, com vários graus de sucesso, com os pesticidas quÃmicos usados atualmente, e provavelmente a indústria pesada de pesticidas irá adotá-lo num futuro não muito distante.
Outras alternativas
Monitoramento, coleta massal e confundimento são métodos baseados principalmente nos feromônios sexuais. No entanto, os insetos secretam outros tipos de feromônios que também podem ser empregados no controle de pragas. Por exemplo, a pulverização de um feromônio de alarme pode manter certos insetos afastados. Compostos que se assemelham estruturalmente a um feromônio podem inibir ou confundir a comunicação quÃmica. Alguns compostos atuam como repelentes, mantendo os insetos afastados das plantações afetadas. Mais recentemente, testes preliminares usando feromônios deterrentes da ovoposição afetaram fêmeas férteis através da interferência no processo de ovoposição.
Uso Global de Feromônios
No começo da década de 90, Shani realizou uma pesquisa para determinar o uso de mundial de feromônios.6 Foram enviados questionários para 142 pesquisadores, cientistas e pessoas ligadas à indústria e comércio de feromônios; 25 paÃses foram representados. Das respostas recebidas (aproximadamente 60% dos consultados), os seguintes dados foram determinados:
Tabela 1: Porcentagem de uso dos métodos de aplicação de feromônios no controle de pragas

Foi determinado ainda que 1,313,000 hectares (ha) foram tratados com feromônios (1% da área cultivável do planeta). No entanto, no presente esta área tem aumentado assim como o uso de feromônios.
Tabela 2: Uso global de feromônios em 1990

Os dados sobre o uso de feromônio indicam que o principal tipo de praga controlada é a das mariposas. Os estudos foram concentrados mais nesta área devido a existência de um grande número de pragas e também devido ao fato de que os componentes dos feromônios desta classe pertencem a uma classe bastante limitada de compostos orgânicos: normalmetne são álcoois, acetatos ou aldeÃdos de moléculas de cadeia linear contendo 10 a 18 átomos de carbono com uma, duas ou raramente três duplas ligações. Com isto, a caracterização e a sÃntese destes compostos se torna relativamente simples.
O uso da técnica de confundimento deve aumentar no futuro. Esta técnica é bastante limpa e fácil e vai de encontro ao crescente número de consumidores que optam por produtos agrÃcolas livres de pesticidas. Estes consumidores são capazes de pagar até o dobro do preço de um produto convencional por um denominado "orgânico", particularmente nos Estados Unidos, Japão e Europa.
O confundimento é o método preferido principalmente em paÃses que já experimentaram o controle de pragas com feromônios: paÃses desenvolvidos do oeste da Europa e América do Norte, bem como Japão, Austrália e Nova Zelândia. Com o objetivo de proteger as importantes culturas de algodão de pragas, o uso de feromônios nesta área está bastante difundida. Com o desenvolvimento de técnicas de confundimento eficientes em outras áreas, frutas e outros produtos (arroz, milho e legumes, por exemplo) deverão em breve ser beneficiadas com o uso de feromônios.
No começo da década de 90, as vendas anuais de feromônios foram avaliadas em torno de algumas dezenas de milhões de dólares. A previsão para as vendas anuais para a próxima década é de centenas de milhões ou até bilhões de dólares, quantia equivalente a aproximadamente 20% do mercado de inseticidas, embora o custo de feromônios tenha caido rapidamente (de US$10-20/g para alguns dólares por grama).
Exemplos de feromônios para pragas da fruticultura comercializados no Brasil:7
Mosca-das-Frutas, Ceratitis capitata. Culturas: Mamão, citros, maçã, maracujá, nectarina, nêspera, pêra, acerola, ameixa
Mariposa-Oriental, Grapholita molesta. Culturas: Pêssego, maçã, marmelo, nêspera, pêra e ameixa
Bicho-da-Maçã, Cydia pomonella. Culturas: Maçã, pêra, pêssego, ameixa
Moleque-da-Bananeira, Cosmopolites sordidus. Cultura: Banana
Bicudo-das-Palmáceas, Rhynchophorus palmarum. Culturas: Coco e dendê
Bicho Furão, Ecdytolopha aurantiana. Cultura: Laranja.8
Referências
1. Ferreira, J. T. B., Corrêa, A.G., Vieira, P. C., "Produtos Naturais no Controle de Insetos", EdUFSCar: São Carlos, 2001.
2. Zarbin, P.H.G., Corrêa, A.G., "Feromônios Contra as Pragas", EcoRio, Revista Brasileira de Ecologia, 1998, 8, 39.
3. Shani, A.,ChemTech 1998, 28, 30-35.
4. Jutsum, A. R.; Gordon, R.F.S. Insect Pheromones in Plant Protection; Wiley & Sons: New York, 1989.
5. Ridgway, R. L.; Silverstein, R. M.; Inscoe, M. N. Behavior-Modifying Chemicals for Insect Management; Marcel Dekker: New York, 1990.
6. Shani, A. IOBC/WPRS Bulletin, Insect Pheromones 1993, 16, 359-372.
7. http://www.biocontrole.com.br
8. http://www.fundecitrus.com.br/bfurao.html
| Data Edição: 15/04/2004
Fonte: Toda Fruta
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