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DOENÇAS FÚNGICAS NA CULTURA DO MAMOEIRO


INTRODUÇÃO

Segundo OLIVEIRA (1994), o mamoeiro é uma planta tipicamente tropical, cujo centro de origem é, provavelmente, o Noroeste da América do Sul, onde a diversidade genética é máxima. Sendo o Brasil, o principal produtor mundial de mamão, com a participação no ano de 1990 de 4.432.000t de frutos, correspondente 37,23% do total produzido no mundo.

A cultura do mamoeiro tem-se caracterizado, a partir da década de 70, como migratória, em função do mosaico do mamoeiro que tem sido, a principal doença desta espécie nas condições brasileiras. Apesar da ameaça que o mosaico constitui para a cultura, desde a sua constatação, os produtores negligenciaram as medidas preventivas, na sua maior parte devido à falta de informações sobre a gravidade do problema, culminando no abandono de seus pomares. A migração da cultura, portanto, tornou-se a principal medida para a continuidade das explorações por parte dos produtores tradicionais e de grupos da cadeia de comercialização (RUGGIERO, 1988).

Devido à introdução de cultivares havaianos do grupo Solo e híbridos chineses do gripo Formosa nos anos de 1976/77, a cultura retomou sua importância econômica no Brasil, provocando uma significativa expansão da comercialização do fruto, devido a sua grande aceitação no mercado externo e interno (MARIN et al., 1995).

A produção brasileira concentra-se atualmente nos estados da Bahia, Espírito Santo e Pará, consideradas as maiores regiões produtoras do país (OLIVEIRA, 1994). Com aproximadamente 5.046 ha cultivados e uma produção estimada para 1995 de 237.840 toneladas, o Espírito Santo é considerado o maior produtor de mamão do grupo Solo do país (FIBGE, 1995).

Cultivado comercialmente em todo o mundo, os cuidados com seus produtos em relação às doenças que porventura surjam, devem ser os mais adequados possíveis. De modo que, a produção esteja garantida ao final do seu processo de obtenção. No presente trabalho, serão abordados aspectos referentes às principais doenças fúngicas de ocorrência na cultura do mamoeiro, possibilitando o conhecimento prévio e controle posterior destas.

DOENÇAS FÚNGICAS DO MAMOEIRO

As doenças causadas por fungos constituem um fator limitante na produção, mercabilidade e exportação do mamão "in natura", exigindo, portanto medidas adequadas de controle (ALVAREZ, 1988). Essas doenças têm contribuído para a redução da qualidade das frutas, destacando-se os tipos de infecções quiescentes, as infecções externas por patógenos oportunistas e as deteriorações internas.

Todos os estádios da cultura são suscetíveis a uma ou mais doenças, e o êxito ou fracasso da produção dependerá exclusivamente da maior ou menor incidência das mesmas, o que por sua vez resulta na adoção de medidas preventivas adequadas.

Dentre as doenças fúngicas incidentes na cultura do mamoeiro no Brasil, pode-se destacar:

DOENÇAS DE PARTE AÉREA:

Oídio (agente etiológico: Oidium caricae Noack)
Etiologia: Descrita no Brasil em 1989, é uma doença de ocorrência generalizada, principalmente em viveiros muito sombreados e nos meses mais frios e de pouca chuva do ano. Visto que, para a germinação de conídios é necessário um breve período de alta umidade relativa, mas não de água livre. Os conídios são disseminados pelo vento e o mamoeiro é o único hospedeiro de O. caricae.

Geralmente a planta pode superar a doença, entretanto, o ataque muito intenso tem causado prejuízos nas folhas, frutos e planta (OLIVEIRA, 1994).

Segundo MARIN et al. (1995), no Brasil a maior ocorrência de oídio se dá, notadamente de Maio a Setembro, não chegando, portanto a causar prejuízos à região Norte do Espírito Santo.

Sintomatologia: Os sintomas estão presentes em todas as idades da planta (REZENDE & FANCELLI, 1997).

Quando as folhas da parte superior são atacadas, a planta sofre redução no crescimento e perda de vigor. As folhas mais velhas, localizadas na parte inferior da planta, são muito sensíveis, e quando afetadas mostram manchas de coloração mais claras (verde-amareladas), tendo contornos irregulares. Essas áreas descoloridas juntam-se, coalescem e apresentam-se recobertas em sua superfície inferior por uma massa pulverulenta branca (massa de esporos) formada pela frutificação do fungo em seu crescimento. Quando o ataque é intenso, ocorre enfraquecimento da planta devido à retirada de nutrientes das células da superfície das folhas. Conseqüentemente, as folhas caem, deixando os frutos descobertos e sujeitos a queimaduras provocadas pelos raios solares (OLIVEIRA, 1994).

Com isto, pode-se observar nos frutos manchas também de aspecto pulverulento, que desaparecem deixando zonas do tecido morto com coloração amarronzada. Os frutos recém-formados quando atacados, caso atinjam a maturação, apresentarão deformações, resultantes das diferenças de crescimento entre partes sadias e afetadas, apresentando aspecto escamoso, resultantes de formações suberosas (MEDINA, 1989).

Medidas preventivas e controle: BERGAMIN FILHO & KIMATI (1980), afirmam que não é necessário o controle da doença.

Porém, um controle eficiente em casos de maior intensidade de ocorrência e que o desejável seja a proteção das plantas seriam aplicações com fungicidas à base de enxofre, em dias cuja temperatura seja inferior a 21oC, evitando a queima dos frutos (OLIVEIRA, 1994).

Em relação à dosagem considerada eficiente, utiliza-se 600-700g/100 l de água, evitando aplicações em temperaturas altas, pelos possíveis problemas ocasionados como visto anteriormente, além da provável ocorrência de fitotoxicidade (MEDINA, 1989).

2. Corynespora (agente etiológico: Corynespora casiicola (Berck & Curt) Wei)

Etiologia: Doença conhecida por "greasy spot" ou "papaya decline", causando danos apreciáveis em mamoeiros. Sua disseminação ocorre através de ventos e respingos de chuva. Teve ocorrência registrada no município de Conceição de Almeida na Bahia (MEDINA, 1989), e no norte do Espírito Santo em campos de sementes e em pomares novos.

Sintomatologia: As plantas afetadas apresentam murchamento foliar que em muitas vezes envolve todo o limbo, pecíolo e caule. As lesões circulares apresentam aspecto encharcado, irregular, coloração marrom-avermelhadas com centro esbranquiçado e halo amarelado nas duas faces da folha. Pelo fato das lesões apresentarem aspecto gorduroso, a moléstia recebe a denominação de "greasy spot".

Nos frutos, as lesões são circulares, apresentam o centro escuro, deprimido e são contornadas por um halo amarelo (MEDINA, 1989).

Medidas preventivas e controle: Não há relatos de controle desta doença até o momento, pelo fato da mesma ser considerada de pequena importância em danos causados na produção.

3. Varíola, pinta-preta ou bexiga do mamoeiro (agente etiológico: Asperisporium caricae (Speg.) Maubl.)

Etiologia: É a doença mais comum no mamoeiro e ocorre tanto em pomares comerciais como em pomares domésticos. Os esporos são disseminados pelo vento e respingos de chuva.

As pintas pretas nos frutos causam mau aspecto e grande desvalorização comercial. A perniciosidade dessa doença se baseia tanto na freqüência de ocorrência quanto nos danos que causa (OLIVEIRA, 1994).

Sintomatologia: Segundo OLIVEIRA (1994), a varíola é uma infecção do mamoeiro que se inicia nas folhas inferiores da planta, mas algumas vezes pode começar nas folhas novas e nos frutos.

Na parte inferior das folhas, o fungo desenvolve frutificações pulverulentas, circulares e levemente angulosas. As manchas têm coloração cinza-clara no centro, cercada por linhas concêntricas, de margens marrom-escuras ou pretas. Os esporos desenvolvem nesta face, facilitando a contaminação dos frutos.

Na face superior das folhas, ocorrem pequenas manchas de forma arredondada, de cor pardo-clara, cercada por um halo amarelo (Figura 1).


























Quando o ataque da doença é intenso, os sintomas podem ser amarelecimento, queda prematura das folhas e retardamento do crescimento e vitalidade das plantas. A queda de grande quantidade de folhas pode provocar queimaduras nos frutos, devido ao contato direto com o sol (Figura 2).


























Os primeiros sintomas da doença nos frutos verifica-se quando estes, ainda pequenos e verdes, apresentam nos tecidos áreas circulares com aspecto encharcado, em cujo centro notam-se pontos esbranquiçados, tornando-se posteriormente pardacentos e salientes. O tamanho das manchas acompanham o desenvolvimento dos frutos, adquirindo coloração mais escura e atingindo apenas a camada externa do fruto, que fica mais endurecida, porém sem atingir a polpa (Figura 3).























De acordo com REZENDE & FANCELLI (1997), apesar das lesões não atingirem a polpa do fruto, causam endurecimento da casca, depreciando a qualidade dos frutos para o comércio.

Medidas preventivas e controle: De acordo com REZENDE & FANCELLI (1997), a doença não precisa de pulverizações específicas em campos de produção.

Porém, considerando a freqüência e intensidade da doença, quando necessárias, as medidas de controle devem ser tomados logo que apareçam os primeiros sintomas nas folhas mais velhas. Dentre os fungicidas, os mais eficientes são aqueles utilizados no controle de antracnose. Para o controle de mancha nos frutos, causadas pelos produtos utilizados, deve-se iniciar o tratamento no início da frutificação, evitando possíveis manchas nos frutos mais desenvolvidos (OLIVEIRA, 1994).

Atualmente os produtos à base de cobre são registrados para o controle de varíola.

Outras medidas de importância:
- Obter sementes tratadas e de boa origem;
- Fazer as sementeiras e viveiros em locais distantes das plantações de mamoeiro;
- Eliminar folhas infectadas que juntamente com aquelas caídas deverão ser queimadas por constituírem focos ativos da disseminação do patógeno. Os frutos muito atacados devem ser retirados e enterrados;
- O controle da doença deve ser realizado de forma preventiva, observando-se a parte inferior da folha e os frutos, principalmente quando ainda pequenos e verdes para descobrir os primeiros sintomas. Pulverizar principalmente os frutos e as folhas, preferencialmente, na página inferior com fungicidas a base de oxicloreto de cobre, mancozeb ou benzimidazol, nas dosagens recomendadas.

4. Podridão por Lasiodiplodia (agente etiológico: Alasiodiplodia theobromae Pat., syn Botryodiplodia theobromae Pat)

NISHIJIMA (1994), cita que lasiodiplodia tem sido reportada somente no Hawaii e Índia, mas causa podridões no pedúnculo de frutos no Brasil e México, o fungo ocasiona lesões escuras com uma ampla margem de tecido encharcado e de superfície rugosa, apodrece e mumifica o fruto.

DOENÇAS DE SOLO:

1. Estiolamento, tombamento das sementeiras ou "damping-off" (agentes etiológicos: Phytophthora sp., Pythium sp. , Fusarium sp., Rhizoctonia sp.)

Etiologia: Os agentes causais desta doença são geralmente fungos dos gêneros Pythium, Fusarium, Phytophthora e Rhizoctonia, que podem atuar juntos ou separadamente e que vivem no solo e manifestam-se nas plântulas das sementeiras da região do colo (MEDINA, 1989; OLIVEIRA, 1994).

O estiolamento tem ocorrência esporádica e, embora tenha sido observado em áreas de plantio, seu aparecimento é mais comum em sementes, não causando, entretanto, no Brasil, problemas acentuados.

O tombamento de plântulas do mamoeiro ocorre principalmente em épocas quentes e úmidas, sendo intenso quando estas estão amontoadas em sementeiras. Este problema ocorre também no replantio, principalmente quando os campos tiverem pelo menos três anos de cultivos sucessivos com mamoeiro ou em áreas com solos extremamente argilosos. Altas temperaturas e período chuvoso são condições favoráveis à doença. O aparecimento é favorecido em solos com grande capacidade de retenção de umidade, má aeração, altos teores de nitrogênio disponíveis no solo, semeadura profunda e locais pouco ensolarados (OLIVEIRA, 1994).

Sintomatologia: De acordo com OLIVEIRA (1994), os sintomas mais comuns são: encharcamento dos tecidos da planta na região do colo da planta, seguido de constrição da área afetada e o apodrecimento de raízes, com conseqüente tombamento e morte das plântulas.

Os sintomas iniciam com uma mancha de aspecto aquoso, que aumenta de tamanho, destruindo os tecidos dessa região (MEDINA, 1989) (Figura 4).


















Medidas preventivas e controle: OLIVEIRA (1994) cita 5 métodos de controle, sendo estes:
- A sementeira deve ser realizada em local ensolarado, com espaçamento pouco denso, de aproximadamente 2cm entre sementes (no momento oportuno, desbastar para 10 ou 15cm entre plantas) e 30cm entre fileiras, em solo permeável e utilizado pela primeira vez para essa cultura, longe de plantações transmitam doenças comuns;
- O solo deve ser tratado antes do estabelecimento da sementeira, e o tratamento deve ser feito por: a) fumigação com brometo de metila na dosagem de 42g do produto por m2, em faixas de 1m de largura (neste caso, atentar para nova regulamentação quanto ao uso do brometo de metila); b) esterilização do solo a 82oC, por duas horas;
- As sementes devem ser tratadas com Captan, na dosagem de 450g/100kg de sementes.
- A irrigação deve ser moderada, e com água livre de contaminação;
- No aparecimento dos primeiros sintomas, aplicar com intervalo de uma semana, regando no solo, produtos à base de chlorotalonil, na dosagem de 400g/100l de água ou metalaxil, na dosagem de 600g/100l de água.

2. Podridão do pé ou gomose (agente etiológico: Phytophthora palmivora)

Etiologia: O patógeno P. palmivora sobrevive no solo e ocasiona perdas e prejuízos durante os períodos chuvosos não só em plântulas, como em frutos. A doença geralmente ocorre em solos mal drenados e mamoeiros de qualquer idade (BERGAMIN FILHO & KIMATI, 1980).

A doença está disseminada em quase todas as regiões produtoras, com o agravante de que seu agente etiológico também afeta outras culturas como: citrus, cacau e mamona.

Nas sementes, a doença chama-se "tombamento" ou "damping-off" (OLIVEIRA, 1994). (Figura 5).





























Sintomatologia: Os sintomas são o aparecimento de podridões no colo da planta, encharcamentos e exsudações gomosas (BERGAMIN FILHO & KIMATI, 1980).

Em estágios mais avançados, a circulação da seiva é interrompida e aparece uma série de outros sintomas, como: amarelecimento de folhas, queda prematura de frutos, murcha do topo, tombamento e morte da planta. As lesões no caule também aparecem na área da coluna de frutos (OLIVEIRA, 1994) (Figuras 6 e 7).










































Assim, de acordo com CHALFOUN & LIMA (1986), os frutos tornam-se mumificados, provocando conseqüentemente sua queda prematura, constituindo, portanto, em uma importante fonte de inóculo, uma vez que é produzida grande quantidade de esporângios disseminados pelo vento e chuva.

Medidas preventivas e controle: Esta doença raramente ocorre no primeiro ano de plantio, e a possibilidade do uso de diversos compostos orgânicos no controle foi estudada por BARKDOLL et al (1992), através do uso de resíduos urbanos adicionados ao solo reduzindo a taxa de incidência da doença.

Para um controle eficiente, deve-se adotar medidas como drenagem adequada do terreno, evitar ferimentos e pulverizações do colo das plantas (quinzenal ou mensal) com fungicidas a base de cobre e chlorothalonil.

NISHIJIMA et al.(1990) estudaram a possibilidade do uso de controle biológico, através de observações realizadas com uma bactéria não identificada isolada das folhas de Carica papaya, ao qual produz antibióticos que inibem a germinação de zoósporos, reduzindo assim os sintomas nos frutos.

Já para os frutos, medidas na pós-colheita como tratamento com água quente podem minimizar o problema. Porém, ARAGAKI et al. (1981) estudaram a hipótese da existência de espécies tolerantes a altas temperaturas. Sendo necessária, portanto, recomendações padrões de tempo e temperatura de acordo com cada espécie e conforme seu ponto térmico letal específico. Já que em P. palmivora foi constatado um alto ponto térmico letal.

OLIVEIRA (1994) cita diferentes medidas de controle, sendo estas:
- Evitar plantios em solos pesados, nas regiões com alta pluviosidade e em áreas com plantios sucessivos de mamão;
- Utilizar solos virgens para encher a cova ou sulco de plantio, ou seja, solos removidos de campos que nunca foram ocupados com a cultura do mamoeiro;
- Caso os sintomas indiquem que as plantas não poderão se recuperar, elas devem ser erradicadas. Para a reutilização da cova, o solo deverá ser tratado por solarização, e receber uma calagem pesada (2kg de cal/m2), ficando por um período de no mínimo dois meses;
- Pulverizar as plantas com Fosetil-Al na dosagem de 250g/100l de água, em três aplicações anuais. A primeira deve ser efetuada no período de maior desenvolvimento vegetativo e no surgimento dos primeiros sintomas; a segunda, noventa dias após e a terceira, somente se for necessária, no caso em que alguma planta ainda manifeste sintomas. Deve ser observado o período de carência de 30 dias;
- Efetuar tratamento cirúrgico das lesões, caracterizado pela raspagem das áreas afetadas e aplicação de pasta cúprica a 5%;
- Aplicar nas lesões dos frutos, preventivamente, produtos à base de cobre, como sulfato de cobre tribásico ou mancozeb.

DOENÇAS DE PÓS-COLHEITA:

As perdas pós-colheita do mamão atingem proporções enormes na economia regional brasileira, e são responsáveis pelo principal afunilamento retardador do desenvolvimento da indústria do mamão, no entanto o principal problema não é o prejuízo monetário inicial, mas a perda de confiança na qualidade do produto, o que pode, no futuro, afetar a demanda. A rápida deterioração, acelerada pelos fungos, é fator que causa perda econômica e qualidade . Os prejuízos são de 10 a 40% em embarques terrestres e de 5 a 30% em aéreos comuns, sendo que tais perdas podem apresentar variações dependendo do manejo pós-colheita adotado, bem como os processos de acondicionamento.

CHOUDHURY (1994) realizando levantamento da incidência de doenças pós colheita em Petrolina-Juazeiro, determinou que as doenças que causam maiores perdas nas cultivares Formosa e Sunrise Solo foram a antracnose e a podridão lateral (Aspergillus, Cladosporium, Fusarium e Rhizopus).

1. Podridão-terminal-do-caule-do-mamoeiro (agente etiológico: Phoma caricae papaya e Botryodiplodia theobromae Pat.)

Etiologia: De acordo com OLIVEIRA (1994), os fungos P.caricae papaya e B. theobromae Pat. são responsáveis pelos sintomas que provocam a podridão terminal do caule do mamoeiro, bem como as podridões do pedúnculo e dos frutos durante o período de armazenamento e maturação.

Sintomatologia: Quando causado por Phoma sp. inicialmente observa-se um número limitado de folhas na parte terminal do caule, o que impede o crescimento normal da planta e até causa a sua morte. Os sintomas típicos do ataque deste fungo são caracterizados por uma margem estreita e firme, seguida por um tecido negro e quebradiço, local onde os picnídios estão separados e embebidos no tecido. Sobre as lesões mais velhas aparece um micélio esponjoso acinzentado (Figura 8).






















Quando a doença é causada por B. theobromae Pat., o fungo causa podridão terminal do caule e podridões na superfície dos frutos. Ao atingir o fruto, o fungo provoca uma margem larga, mole e úmida com uma maior descoloração interna de cor preta-azulada. Inicialmente, surge uma mancha aquosa em torno do pedúnculo, que progride ao longo da extremidade do caule. Uma faixa dura se desenvolve entre os tecidos afetados e sadios, surgindo uma lesão, semelhante à causada pela antracnose, recoberta por uma massa de esporos de cor rósea.

Medidas preventivas e controle: O controle dos fungos Phoma sp. e B. theobromae é realizado no campo, com aplicação de fungicidas, quando do controle de antracnose. Tratamentos pós-colheita também são realizados nos frutos antes da embalagem.

Nas plantações comerciais de Brasília e Espírito Santo, as culturas têm apresentado problemas com P.caricae, que embora de ocorrência esporádica, causaram prejuízos na faixa de 30% da produção, principalmente pela perda das folhas na parte terminal do caule, impedindo o crescimento e provocando a morte das plantas (MARIN et al. , 1995).

Ainda, segundo NISHIJIMA (1994), a ocorrência de B. theobromae Pat. tem sido reportada somente no Hawaii e Índia. No Brasil e México, causa podridões no pedúnculo.

2. Antracnose (agente etiológico: Colletotrichum gloeosporioides)

Etiologia: De acordo com DICKMAN (1994), a antracnose constitui-se na mais importante doença incidente sobre frutos maduros em regiões produtoras do mundo. Sendo problema em frutos não refrigerados para o comércio interno, como em frutos refrigerados para exportação.

Sua nocividade para a economia é grande, pois os frutos atacados pela antracnose tornam-se imprestáveis para a comercialização e consumo. Ainda que estes não apresentem os sintomas quando colhidos, a doença se manifesta posteriormente na fase de embalagem, transporte e amadurecimento e comercialização, causando grande percentagem de perdas.

O fungo sobrevive de um ano para outro nas lesões velhas de restos de cultura, principalmente nas folhas. Os ferimentos causados nos frutos, por insetos ou por via mecânica, favorecem a penetração do fungo (OLIVEIRA, 1994).

Sintomatologia: O estabelecimento do fungo nos frutos verdes se dá através da penetração pela cutícula. A infecção permanece latente, mostrando atividade apenas sobre os pecíolos e folhas que apresentam ferimentos e frutos no período de maturação. Os frutos jovens quando atacados cessam o seu desenvolvimento, mumificam e caem (DICKMAN & ALVAREZ, 1983; OLIVEIRA, 1994).

Com o aumento da precipitação e da umidade relativa, aparecem na casca dos frutos pequenos pontos pretos que aumentam de tamanho formando manchas deprimidas, que podem medir até 5cm de diâmetro. Em torno das manchas, forma-se um halo de tecido aquoso, com coloração diferente da parte central. Quando em grande quantidade, as manchas coalescem, espalham-se pela superfície do fruto, penetram e aprofundam-se na polpa, ocasionando podridão-mole. A frutificação do fungo concentra-se na parte central da lesão, que toma um aspecto gelatinoso de coloração rósea, que desprende-se facilmente (DICKMAN, 1994; OLIVEIRA, 1994) (Figura 9 ).




















No Espírito Santo, como em outros estados nos meses quentes e úmidos do ano (outubro a março), a elevada incidência de antracnose nos frutos tem limitado a comercialização.

Medidas preventivas e controle: Atualmente, o controle é alcançado através da realização de um programa contínuo de pulverizações e a freqüência depende da incidência e do clima, sendo realizada duas vezes ao mês, uma na época quente e outra na época fria do ano.

O controle efetivo pode ser realizado através da retirada e enterrio dos frutos em plantios onde haja fonte de inóculo em grandes quantidades. Sendo a colheita realizada com os frutos ainda em estado verde, que devem ser desinfectados em galpões de armazenamento (OLIVEIRA, 1994).

NISHIJIMA et ai. (1992), estudaram a utilização de ar forçado no controle de doenças pós colheita, como a antracnose, porém não obtiveram reduções significantes, quando comparados a tratamentos com fungicidas ou imersão dos frutos com água quente.

3. Mancha da Alternaria (agente etiológico: Alternaria alternata)

As lesões de A. alternata são pretas, circulares e cobertas de esporos. São restritas à superfície do fruto e não causam podridão do parênquima. Aperecem em maior freqüência em ambientes secos e com baixas temperaturas, apresentando problemas em câmaras frias (ALVAREZ & NISHIJIMA, 1987).

4. Podridões Secundárias (agentes etiológicos: Fusarium spp., Stemphylium lycopersici, Cladosporium sp., Aspergillus flavus, Rhizopus stolonifer)

Os fungos Fusarium spp, Stemphylium lycopersici, Cladosporium, Aspergillus flavus e Rhizopus stolonifer, são freqüentemente invasores secundários, associados às lesões de Colletotrichum e Phoma (REZENDE & FANCELLI, 1997).

De acordo com GUPTA & PATHAK (1990), estes agentes necessitam de fatores de estresse ou injúrias para que ocorra o seu estabelecimento no fruto.

MEDIDAS GERAIS DE CONTROLE DE DOENÇAS PÓS-COLHEITA

Tratamento dos frutos com água quente (49C, 20 minutos), aplicação de thiabendazole (frutos), embalagem em condições adequadas, manuseio delicado e seleção dos frutos no campo, são apenas algumas medidas de controle.

Hoje se sabe, que o controle de doenças pós-colheita deve ser iniciado no campo, com pulverizações periódicas. Esse tratamento além de reduzir a Antracnose e a Mancha Chocolate, combate também outras doenças de pós-colheita. O controle de doenças tardias não é conhecido, mas acredita-se que seja devido a uma redução do nível de esporos no campo e uma redução das lesões de antracnose, as quais servem potencialmente como locais de entrada para os fungos incapazes de penetrar pela cutícula.

Outra medida importante, é a eliminação dos frutos infectados das plantas e do chão, já que eles podem servir como fonte de inóculo, principalmente no caso de cultivos abandonados, onde deve-se cortar as plantas e pulverizar com fungicidas. Essa prática é entendida por todos mas praticadas por poucos, pois é uma medida cara. Contudo é uma medida que com certeza, permite bons resultados a longo prazo, na redução de doenças de pós colheita. O desbaste de folhas velhas e caídas além de diminuir a concentração de inóculo também pode ajudar na redução da incidência de doenças, pois permite que a ação da pulverização seja mais efetiva.

O vigor das plantas nos pomares é um fator importante, devendo ser mantidas em estado vigoroso através de fertilização adequada e apropriada. Apesar de não se conhecer cientificamente a ligação entre a fertilização e a incidência de doenças de pós colheita, sabe-se que a fertilização apropriada afeta a qualidade do produto e na saúde da planta.

A epiderme do fruto do mamoeiro é fina e facilmente machucável e muitos fungos causadores de doenças de pós-colheita, necessitam de ferimentos que possibilitam sua entrada no fruto, a quantidade e a severidade dos machucados, tem um efeito direto na incidência destas doenças. Os colhedores devem usar luvas que previnam os cortes aos frutos pela unhas e serem cuidadosos.

FITOTOXICIDADE DE FUNGICIDAS

A ação fitotóxica dos principais inseticidas, fungicidas e acaricidas, empregados no controle químico fitossanitário do mamoeiro, é muito expressiva, já que a planta é particularmente sensível, e muito atacada por diversos fungos fitopatógenos, insetos e ácaros.

Segundo MATUO (1980), o conhecimento sobre os efeitos fitotóxicos dos produtos químicos utilizados no mamoeiro, é anda insuficiente, ficando difícil a recomendação do uso desses para o tratamento fitossanitário.

Essa falta de conhecimento se deve ao reduzido número de produtos registrados para esta cultura, necessitando-se de estudos sobre o comportamento dos produtos aplicados no mamoeiro tanto isoladamente como em associação (ROBERTO & VIEIRA, 1993).

RUGGIERO (1988), recomenda a não aplicação de qualquer produto não adequado e sem prévio conhecimento de sua ação, concluindo o autor, na dúvida não pulverize.

A fitointoxicação varia entre os diferentes produtos existentes e diferentes formulações do mesmo produto (MATUO, 1980; MARIN et al, 1995).

O dano pode se manifestar de diferentes maneiras. MAGALHÃES (1980); MARIN (1988); VIEIRA (1997), descreve o atraso do crescimento, redução do diâmetro do caule, número de folhas, flores e frutos ou injúrias e/ou queima foliar, citam ainda que em casos mais extremos pode matar a planta.

SHERMAN & TAMASHIRO (1959) e SHERMAN & SANCHES (1968), conduziram alguns trabalhos no Havaí - EUA, onde chegaram a conclusão d que não só o princípio ativo mas também os componentes que constituem as formulações devem exercer papel predominante na fitotoxidade, e ainda que solventes, emulsionantes e outros agentes, e suas interações entre si e com o princípio ativo, devem ser o principal fator responsável pela maior ou menor fitotoxidade (MATUO, 1980).

MARIN 1988, conduziu um trabalho em casa de vegetação com a finalidade de avaliar os efeitos fitotóxicos em plantas jovens de mamão, pelos principais inseticidas acaricidas e fungicidas, recomendados para o controle químico, onde chegou-se a conclusão de que poder-se-ia recomendar para o controle de doenças alguns produtos (Quadro 1), caso fossem devidamente registrados para a cultura do mamoeiro, no Ministério da Agricultura.

























Apenas cinco princípios ativos de produtos fungicidas são registrados para a cultura do mamoeiro são eles: oxicloreto de cobre, óxido cuproso, hidróxido de cobre, moncozeb e enxofre, que podem ser utilizados nas doses recomendadas já que não se tem referências de ação fitotóxica, segundo ANDREI (1996).

No entanto SKOWRONSKI et al, 1996, observaram inibição da germinação do tubo polínico do mamoeiro "in vitro" por oxicloreto de cobre, mancozeb e enxofre.

Um outro trabalho foi desenvolvido por SILVEIRA-FILHO et al, (1997), onde estudou-se a sensibilidade do mamoeiro a fungicidas com o objetivo de identificar aqueles mais inócuo à planta. Utilizou nove diferentes compostos químicos, oito fungicidas e a manipueira, após várias aplicações chegou a conclusão de que tebucanazole prevaleceu como fitotóxico, particularmente ao mamoeiro Formosa, e os cultivares do grupo Havaí, mostrou-se mais tolerante aos fungicidas.

Data Edição: 16/05/2003
Fonte: Andrea Dantas de Souza e Márcia de H. Nozaki

 
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