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CHAT TÉCNICO SOBRE COMO ELABORAR UM PROJETO EM FRUTICULTURA
CONSIDERAÇÕES INICIAIS:
Uma das razões que nos levaram a organizar este Chat, é tentar motivar os alunos , serem empreendedores. Somente esta mudança de comportamento obterá seguramente, um melhor aluno. No curso de agronomia da UNESP/Jaboticabal, onde é obrigatória a realização de um trabalho de graduação, a realização de um projeto agrícola é uma das opções, e os alunos orientados para realizarem estes projetos, mostram sua importância, na melhor formação profissional.
APRESENTAÇÕES:
Contaremos como debatedores neste Chat, os seguintes técnicos: Fernando De Amorim Mascaro; Maria Inez Espagnoli Geraldo Martins; Ryosuke Kavati; Waldir Barros Fernandes Junior e Ricardo Tonet. Apresentamos a seguir um breve curriculum dos debatedores, a quem o TodaFruta agradece a valiosa colaboração.
Coordenador técnico: Carlos Ruggiero (ruggiero@fcav.unesp.br)
Coordenadora dos trabalhos: Marina Verhaeg (marina@todafruta.com.br)
UM BREVE CURRICULUM DOS DEBATEDORES:
FERNANDO DE AMORIM MASCARO: graduação em Agronomia pela Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" - FCAV/JABOTICABAL (1999). Desde 2006 é membro da Comissão Técnica para a Produção Integrada de Pêssego, coordenada pela UFPel. É responsável técnico da empresa Sigma Agroambiental Pesquisa e Consultoria Ltda - ME, responsável pela Coordenação e Execução dos Projetos de Pesquisa e Desenvolvimento de Frutas e Flores da Cooperativa Agro Industrial Holambra, localizada na Estância Turística de Paranapanema, desde o ano de 2003. Tem experiência na área de Agronomia, com ênfase em Produção Integrada de Frutas, Fruticultura de Caroço, Pomicultura, atuando principalmente nos seguintes temas: Pesquisa e Desenvolvimento de Frutas e Flores, Produção e Administração Agrícola, Fitotecnia, Fitossanidade e Nutrição Vegetal. (sigmagropesquisa@uol.com.br)
MARIA INEZ ESPAGNOLI GERALDO MARTINS: graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1977), mestrado em Economia pela Universidade de São Paulo (1984) e doutorado em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa (1990). Atualmente é prof. assistente doutor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Tem experiência na área de Economia atuando principalmente nos seguintes temas: custo de produção, rentabilidade, análise de investimento aplicados principalmente na fruticultura, aqüicultura e olericultura.
RYOSUKE KAVATI: Engenheiro Agrônomo formado pela ESALQ-USP (1978), atuando na área de fruticultura tropical, desde 1992, junto a CATI. kavati@cati.sp.gov.br
WALDIR BARROS FERNANDES JUNIOR: Engenheiro Agrônomo pela UNESP de Jaboticabal, graduado em dezembro de 1987. Mestre em Administração pela FEA-USP de S. Paulo, concluído em 1998. Ph.D. em Food and Resource Economics pela University of Florida (Gainesville, FL, EUA), concluído em 2003. Professor Assistente Doutor no Departamento de Economia Rural da UNESP de Jaboticabal desde fevereiro de 2004 - concursado e jornada de 12 horas semanais. Leciona nos cursos de graduação de Administração, Agronomia, Medicina Veterinária, Zootecnia. Professor Pleno na FATEC Rio Preto desde março de 2004 - concursado e jornada de 4 horas-aula semanais, com afastamento de 20 horas-aula semanais.leciono nos cursos de graduação de Tecnologia em Informática para a Gestão de Negócios, Tecnologia em Agronegócios. Diretor da FATEC Rio Preto desde agosto de 2006 - jornada de 40 horas semanais
RICARDO MONCORVO TONET: Engenheiro Agrônomo formado pela FCAV - UNESP de Jaboticabal (1989), Especialização em Citricultura na Universidad Politecnica de Valencia - Espanha (1993), Mestrado em Produção Vegetal pela FCAV - UNESP de Jaboticabal (1996), Especialização em Administração Rural pela UFLA (2006). Engenheiro Agrônomo da CATI - Coordenadoria de Assistência Técnica Integral da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo com atuação na área de extensão rural e fruticultura. (e-mail: ricardotonet@cati.sp.gov.br)
APRESENTAÇÕES:
Marina
Boa tarde Dr. Kavati e Dr. Ricardo.
Ryosuke Kavati
Boa tarde a todos.
Ricardo Tonet
Boa tarde. Estamos a disposição.
Marina
No decorrer do chat irei inserir algumas perguntas que foram previamente respondidas.
Marina
Boa tarde Dr. Fernando e Dr. Waldir. Sejam bem vindos
Fernando Mascaro
Boa tarde a todos! Desculpe-me pelo atraso.
Waldir
Obrigado, Marina, boa tarde a todos!
Marina
Boa tarde Dra. Maria Inez. Seja bem vinda.
Maria Inez
Obrigada. Boa tarde a todos
Fernando Mascaro
Prezada Marina, o Eng. Agr. Mustapha não poderá participar do chat. Mas qualquer questionamento poderá ser enviado por email.
Marina
Obrigada pela atenção.
Maria Inez
Agradeço a oportunidade.
Ruggiero
Uma das razões da realização deste chat é procurar despertar em nossos alunos terem a seguinte conduta ao ingressarem ; 1º definirem claramente o que querem profissionalmente da carreira; 2º despertar o espírito empreendedor, onde a realização de um projeto é uma das etapas importantes.
Ruggiero
Desejaria portanto de agradecer as presenças de Ricardo Tonet, Waldir Barros, Fernando Mascaro, Maria Inez e Ryosuke Kavati, realmente um time altamente qualificado, a quem agradecemos a valiosa colaboração.
Waldir
Obrigado pela honra do convite.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
Ruggiero
O Fernando Mascaro fez o seu trabalho de graduação com um projeto agrícola, com a cultura da bananeira em AVARÉ. Gostaria que ele comentasse a importância da realização do projeto para a sua vida profissional.
Fernando Mascaro
Tive a oportunidade de ser um dos primeiros alunos da FCAV-UNESP a poder realizar um PROJETO AGROPECUÁRIO, como trabalho de Graduação (conclusão de Curso). Agradeço aos Professores Antonio Baldo, Maria Inez e Ruggiero por serem os orientadores. Esta oportunidade foi fundamental para o ingresso na atividade empresarial.
Fernando Mascaro
Embora tenha desenvolvido o Projeto para a cultura da Banana, logo após a conclusão de meu curso, iniciei na produção de frutas de caroço. Mesmo com um Projeto agropecuário em mãos, tive diversos problemas, de ordem climática, que acabaram por inviabilizar a atividade. Assim, temos que levar em conta na elaboração de um Projeto todas as possíveis intempéries climáticas, que hoje são impossíveis de se prever, para que assim, o projeto possa calcular uma margem de risco, que será fundamental para o produtor calcular o real custo da atividade e também o cálculo de uma frustração durante todo o período da atividade.
Marina
PERGUNTA DE INTERNAUTA: Gilberto Pereira: Resido em São Bento do Sul, norte catarinense, com altitude de 850 m do nível do mar. O nosso clima é de frio rigoroso no inverno, chegando à gear por vários dias. No início do ano passado, comprei em Limeira/SP, 35 mudas de lichia e plantei-as em minha residência. Em março de 2007, passaram pela primeira geada e apesar de ter protegido as mudas com panos, 5 delas foram dizimadas pelo frio. Ha uns 60 dias, tivemos novas geadas e desta vez, não protegi as árvores(1m) e não houve nenhuma baixa, porém, algumas tiveram as folhas quase que na totalidade, queimadas. Enfim a pergunta: Tenho alguma chance de conseguir produzir esses frutos aqui em minha cidade?
Fernando Mascaro
O Prof. Antonio Baldo poderia responder melhor esta dúvida, mas a que tudo indica, a região citada não é a mais indicada para o cultivo de lichia, planta sensível a geada
Marina
Clique aqui e leia mais sobre Lichia.
Marina
PERGUNTA DE INTERNAUTA: Vinicius Oliveira Costa: Gostaria de saber quais as etapas de elaboração de um projeto de fruticultura, e quais os principais gargalhos destas etapas.
Fernando Mascaro
Creio que o principal no projeto de Fruticultura é conhecer primeiramente o mercado de frutas. Conhecer os períodos de oferta e de demanda.
Waldir
Respondendo à pergunta do internauta, Vinicius Oliveira Costa. Fazer um bom plano de negócios, analisando todos os aspectos de marketing, recursos humanos, finanças, administração geral e produção e/ou prestação de serviço. Antes de começar a produzir, primeiro o produtor precisa saber para quem venderá sua produção, se seu produto e/ou serviço atenderá a uma ou mais necessidades do consumidor, se o consumo de seu produto e/ou serviço proporcionará uma experiência agradável ao cliente. As decisões agronômicas devem basear-se em critérios mercadológicos e não simplesmente em critérios técnico-operacionais. O ideal técnico nem sempre corresponde ao ideal econômico; portanto, o produtor que não pensa primeiro na questão comercial pode tomar decisões equivocadas de produção, e perder muito dinheiro.
Ryosuke Kavati
Com relação as etapas de elaboração de um projeto, sem sombra de dúvida a questão mercadológica é fundamental e o gargalo é as informações disponíveis sobre o assunto.
Maria Inez
Ainda em relação às etapas para elaboração de um projeto, um dos pontos importantes é a análise financeira que retrata a tecnologia de produção e necessita de informações detalhadas do uso e rendimento dos fatores de produção.
Marina
Como o custo de produção de um projeto pode servir de orientação para novas atividades na propriedade?
Resp. Dra. Maria Inez: A estimativa de custo de produção pode ser útil para que o produtor consiga, antes de realizar o investimento em determinada atividade, avaliar a provável rentabilidade daquele projeto a partir de uma comparação com a receita estimada, dada a produção esperada e as condições de mercado. O custo de produção reflete os preços dos fatores de produção e a tecnologia avaliada.
O mais importante, porém, na fase de elaboração de um projeto, é realizar uma análise de investimento, onde todos os itens referentes à infra-estrutura de produção (máquinas, implementos, benfeitorias específicas), precisam ser considerados para que produtor possa ter a noção, antes de iniciar a atividade, do volume de capital necessário e que ficará imobilizado naquela atividade, além dos valores referentes às despesas operacionais (capital de giro) e receita relacionadas com o projeto.
Marina
Porque razão grande número de produtores não tem um custo de produção detalhado da sua atividade?
Resp. Dra. Maria Inez: Pela dificuldade na operacionalização do custo que não é sanada, por grande parte dos produtores, pela dificuldade de enxergar claramente o benefício desta ferramenta para a gestão.
Estudante agro
O que é mais importante em um projeto, não seria a comercialização que hoje é um entrave em várias atividades?
Waldir
Estudante, a comercialização requer produtos e serviços de qualidade. Se você não tiver um projeto que contemple todos os aspectos de produção e comercialização, seu projeto pode ficar capenga. Então, não há um item mais importante do que o outro. Todos são interdependentes e relevantes.
Waldir
No curso de Agronomia da UNESP de Jaboticabal, há uma disciplina obrigatória, de 3 horas semanais, intitulada Gestão Financeira e Marketing, em que eu e as professoras Maria Madalena Zocoller Borba e Maria Inez Espagnoli Martins, estimulamos nos alunos a cultura empreendedora. O desafio é tal que os alunos vêem necessidade de criar interdisciplinaridade, recorrendo a todas as já cursadas no programa.
Marina
Como se insere a rastreabilidade dentro de um projeto técnico?
Waldir
A rastreabilidade é praticamente uma exigência universal. Há desincentivos monetários para quem não aderir aos seus protocolos. Veja o caso do boi gordo; a arroba do rastreado vale mais.
Nota do TodaFruta: entendendo a preocupação sobre o assunto, estamos promovendo um Chat sobre Rastreabilidade na Fruticultura,a ser realizado em 27/10/08.
Ricardo Tonet
Entendo que quando pensamos em Planejamento devemos considerar todas as etapas envolvidas num projeto desde sua parte técnica (viabilidade de uma determinada cultura) até as questões de comercialização, que se forem devidamente estudadas permitem uma margem de segurança num eventual projeto de fruticultura.
Ruggiero
Visitamos na última quarta feira(4/09/08), lavouras de maracujá em Araguari-MG, onde existe um pacote tecnológico a ser seguido pelos produtores, o que acredito seja um bom modelo, ou seja, ao iniciar uma atividade deve existir ua pacote tecnológico a ser obedecido.
Pequeno produtor
Qual é um bom modelo de uma empresa familiar que contempla estas atividades? E para qual cultura?
Ricardo Tonet
Devemos lembrar ainda no caso da fruticultura que alguns projetos já vêm sendo desenvolvidos como o PIF (produção Integrada de Frutas) bem como algumas frutas só são exportadas de acordo com alguma certificação (Eurepgap).
Ruggiero
Pequeno produtor: um bom modelo de uma empresa familiar poderemos encontrar na JAGUACY, que produz abacate na cidade de Bauru, onde cada membro da família tem uma atividade, e que merece ser conhecida.( www.jaguacy.com.br)
Marina
Leia aqui mais informações que temos sobre abacate.
Waldir
Um bom modelo de empresa familiar é aquela que não mistura as contas da família com as contas da empresa da família, e que a escolha dos membros da família que trabalhem na empresa seja baseada somente em critérios de mérito e competência.
Ryosuke Kavati
Respondendo ao estudante agro - realmente a comercialização é o maior entrave na elaboração de um projeto de fruticultura, principalmente pelo fato de serem atividades nas maioria das vezes de longo prazo, ou seja, da elaboração do projeto ao produto no mercado, é muito longo, e havendo profunda modificação no mercado neste período. Além de uma grave deficiência nas informações quanto a comercialização destes produtos. Atualmente a única fonte relativamente disponível com relação a isto, são os dados disponibilizados pelo CEAGESP.
Estudante agro
Como estimular o empreendedorismo entre os alunos de agronomia?
Marina
A CATI tem alguma informação a respeito de como o produtor deverá proceder na elaboração de um projeto?
Fernando Mascaro
Através do projeto agropecuário o aluno consegue realizar um levantamento criterioso de toda a cultura, levantando aspectos tanto das etapas de produção, como também de análise de mercado. Com todos estes dados em mãos, o aluno poderá realizar as simulações de produção e de custos, fazendo com que ele visualize as variantes em todo o processo.
Ruggiero
Não tenho dúvida, o aluno que tiver como objetivo ser dono do seu negócio será um aluno diferenciado, mesmo que ele venha a ser empregado, o será um diferenciado.
Fernando Mascaro
O empreendedorismo poderá ser estimulado através de estágios em cooperativas, onde tem-se uma diversidade de produtores, fazendo com que o aluno possa visualizar todos os nichos de mercado e de produção.
Ricardo Tonet
Respondendo ao pequeno produtor: algumas questões precisam ser respondidas. Uma ferramenta da administração que pode ser usada é Planilha "FOFA" de um lado colocamos as fortalezas e as fraquezas - questões internas da propriedade (que devem ser respondidas de maneira verdadeira) e oportunidades e ameaças - questões externas à propriedade (mais difíceis de serem resolvidas individualmente). De qualquer forma devemos considerar a aptidão local (clima, solo) e do produtor e as possibilidades de mercado na definição de uma determinada fruta a ser produzida.
Waldir
O empreendedorismo pode ser estimulado entre os alunos de agronomia de várias formas: primeiro, mostrando que o aluno pode ganhar dinheiro sendo empresário; segundo colocando-o em contato com agrônomos empreendedores de sucesso, e até os que fracassaram, pois o exemplo de insucesso pode auxiliar no aprendizado do que não fazer e em qual situação; terceiro, tornando o ensino das disciplinas voltado à criatividade e inovação, tão importantes para o sucesso empreendedor.
Ricardo Tonet
Respondendo aluno agro - muito boa e oportuna a sua pergunta. Apesar de algumas características pessoais para ser empreendedor (capacidade de correr riscos, iniciativa etc) podemos formar jovens empreendedores especialmente pela prática, e nesse caso a Universidade deve ter um papel fundamental não só nas empresas júniors, como também com projetos de incubadoras (mesmo para área agrícola).
Ruggiero
Tivemos oportunidade de orientar um aluno, Eder Ignasio, que realizou o seu projeto,como implantar uma abacaxicultura , onde primeiro fez estágios em 3 regiões produtoras de abacaxi; 1º em Bauru, onde existe bons produtores; 2º Em Guaraçai, onde há uma cooperativa de produtores; 3º em FRUTAL, depois destes estágios, começou a elaborar o projeto.Atualmente o Eder é produtor de uva em Petrolina
Fernando Mascaro
A empresa Junior é uma excelente oportunidade de acompanhar o desenvolvimento de um Projeto agropecuário, como bem citou o Dr. Tonet.
Pequeno produtor
Dr. Kavati, a CATI tem algum modelo de como fazer um projeto?
Waldir
É muito importante também mostrar aos alunos que empreender é gerar riqueza, pois cria postos de trabalho, aumenta a renda das pessoas e eleva a arrecadação de impostos para a melhoria da qualidade de vida da sociedade.
Estudante agro
Dr. Waldir, como é a situação comparativa entre os produtores brasileiros e norte-americanos (aproveitando a sua experiência, quando lá esteve).
Regina
Há algum projeto em desenvolvimento com parceria entre produtores e universidade e/ou Cati?
Ryosuke Kavati
Respondendo a Regina: sim são diversos os projetos FEAP em andamento.
Ryosuke Kavati
A CATI tem modelos de projetos específicos por produtos, atendendo as linhas de créditos oficiais do Estado de São Paulo.
Estudante agro
Pela sua experiência com os produtores norte-americanos, comente qual a comparação com os produtores brasileiros.
Waldir
Os produtores dos EUA são bem mais privilegiados do que os do Brasil, a começar pelos subsídios e todo o aparato legal e financeiro que os protege das oscilações de mercado. A maioria dos citricultores da Flórida, por exemplo, conduz o negócio de forma empresarial; há os que se envolvem emocionalmente, contudo, mas a grande totalidade vê a agricultura como negócio.
Ricardo Tonet
Respondendo pequeno produtor - como trabalho na CATI também, completando o que o Kavati colocou existem recursos hoje do PRONAF (inclusive PRONAF - Mais alimento) e do FEAP (recursos do Estado de São Paulo) específicos para a fruticultura.
Ruggiero
Gostaria de ver implantada na UNESP/JABOTICABAL, uma Central de Atendimento ao Produtor, com envolvimento dos alunos dos vários cursos existentes (Agronomia, Biologia, Administração)+ Alunos da pós(mestrado + doutorado), devidamente orientados, para responderem dúvidas dos produtores, o que também contribuiria para despertar o empreendedorismos entre nossos alunos
Waldir
A idéia do Prof. Ruggiero é ótima, pois proporcionaria maior integração entre as diversas áreas do conhecimento, criando complementaridade e cumplicidade entre elas. A Empresa Jr. poderia desenvolver esse papel, sugiro.
Estudante agro
Para a realização de um projeto, os dados disponíveis área cultivada para cada frutífera, são suficientes? São confiáveis?
Ruggiero
Complementando a pergunta do estudante, gostaria que o Ricardo ou Kavati, comentassem a respeito do projeto Lupa?
Ricardo Tonet
Respondendo estudante agro - a SAA através da CATI/IEA deve estar colocando a disposição o LUPA atualizado em breve, que é uma ferramenta importante com relação a área cultivada para SP no entanto não deve ser a única informação a ser levada em consideração. Com relação ao LUPA mesmo com alguns problemas acredito ser a melhor fonte de dados para SP (quando atualizada)
Waldir
Estudante de Agro, para você ter uma idéia, para a realização desse projeto a que se refere, você deverá contar com o uso de uma ferramenta, chamada PO (pesquisa operacional), que vai auxiliar na alocação otimizada dos recursos, notadamente área, entre as diversas opções de cultura e criação que pretende implantar na propriedade. É verdade que você precisará de muitos dados confiáveis para tomar a decisão gerencial mais acertada, mas sempre haverá riscos inerentes a quaisquer atividades que você escolher empreender.
Pequeno produtor
O cooperativismo sadio é um estimulo aos pequenos produtores, quais as razões do relativo insucesso do sistema em várias regiões?
Marina
Fernando, os produtores que a SIGMA orienta, cada um tem um projeto técnico?
Ricardo Tonet
Respondendo ao pequeno produtor - primeiramente acredito que existe uma característica dos próprios brasileiros, mais individualista. Segundo existe, ainda, um "fantasma" devido aos problemas passados com o cooperativismo no Brasil e, ainda, talvez o produtor brasileiro não consiga enxergar ainda a real necessidade do associativismo. Acredito também que o melhor é a formação de pequenas Associações ou Cooperativas de ação regional como forma de defender interesses comuns.
Waldir
Pequeno produtor, um dos maiores problemas do insucesso do cooperativismo nalgumas regiões é não haver caldo cultural favorável ao seu fomento, ou seja, o cooperativismo não fazer parte da cultura dos produtores locais. Se você provar que o produtor isolado ganha menos dinheiro do que cooperado, aí sim você contará com sua adesão ao cooperativismo.
Ruggiero
Pequeno produtor, é preciso para o cooperativismo ir bem, dois requisitos básicos; 1º Honestidade da diretoria na condução dos trabalhos (não procurar tirar vantagens pessoais), 2º A efetiva participação dos cooperados, (fiscalizando e contribuindo). No sul existem várias cooperativas funcionando muito bem
Waldir
Pela teoria das ações coletivas, é muito raro alguém entrar numa agremiação para obter ganhos coletivos maiores do que os individuais. Se isto não fosse verdade, não haveria o fenômeno da síndrome da marginalidade, ou seja, situação em que os produtores se unem somente quando enfrentam crises.
Marina
Aproveito a oportunidade para convidá-los para o nosso próximo chat, sobre "Controle de Doenças em Fruteiras", a ser realizado no dia 29 de Setembro de 2008, às 16 horas.
Regina
Há algum projeto de manga em andamento na região central do Est. SP?
Estudante agro
A que se deve o sucesso do Pólo de Petrolina com fruticultura?
Ryosuke Kavati
Respondendo ao estudante agro - acredito que principalmente pelo grande investimento governamental na região.
Ricardo Tonet
Respondendo ao estudante agro - completando o que o Kavati colocou - "dinheiro barato"
Ryosuke Kavati
Complementando ao Ricardo - muitas vezes nem precisa pagar.
Ryosuke Kavati
Regina, projeto de manga nos moldes que estamos tentando discutir aqui, não conheço nenhum.
Estudante agro
O Estado de São Paulo tem um projeto global para o desenvolvimento da fruticultura?
Ricardo Tonet
Respondendo estudante agro - que eu tenha conhecimento, não. As ações são localizadas e dependem do interesse e articulações com os atores locais.
Marina
Informo a todos que o chat estará depois disponível em Chats Realizados.
Ruggiero
Uma das razões do sucesso do Pólo de Petrolina, é que embora ocorra troca de prefeitos, o projeto inicial continua, ou seja projetar o Pólo. Tive oportunidade de participar de um café da manhã realizado no Aeroporto de Congonhas, onde o prefeito na época (Guilherme Coelho), promoveu, mostrando as ampliações em câmaras frias que o Aeroporto ia ser dotado, para ampliar as exportações
Ryosuke Kavati
Atualmente por problemas "políticos" entre a área federal e estadual, estamos tento dificuldades em desenvolver uma ação global como é o Sistema Agropecuário de Produção Integrada (SAPI), que ao nosso ver é a única alternativa viável de adequar a nossa produção ao requerimento atual dos mercados internacionais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Marina
Muito obrigada pela participação e atenção Dr. Waldir, Dr. Kavati, Dra. Maria Inez, Dr. Ricardo e Dr. Fernando.
Estudante agro
Obrigado pelas informações prestadas, acredito que este assunto deva ser discutidos em outras esferas também. muito obrigado aos debatedores pelos esclarecimentos.
Marina
Gostaria de agradecer a presença de todos os participantes.
Marina
O chat estará depois disponível em Chats Realizados.
Marina
Qualquer dúvida, meu e-mail é: marina@todafruta.com.br
Regina
Abraço a todos!
| Data Edição: 22/09/2008
Fonte: TodaFruta
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