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DETECÇÃO DE Begomovirus EM MARACUJAZEIRO (Passiflora edulis Sims) NO ESTADO DE ALAGOAS
Sarah Cavalcanti da SilvaI; Iraildes Pereira AssunçãoII; Juliana Paiva CarnaúbaI; Joyce Silva LimaI; Edna Peixoto da Rocha AmorimIII; Gaus de Andrade LimaIV
RESUMO
O maracujazeiro é uma cultura de grande importância econômica nos paÃses tropicais, destacando-se o Brasil como o maior produtor. No presente trabalho, é relatada a infecção de plantas de maracujazeiro por um vÃrus do gênero Begomovirus, famÃlia Geminiviridae, no municÃpio de Anadia, Estado de Alagoas. As plantas infectadas apresentavam sintomas de mosaico amarelo, redução drástica de crescimento e da área foliar. DNA extraÃdo de plantas sintomáticas foi empregado como molde em PCRs, contendo os pares de primers PAL1v1978 e par1C496 ou PBL1v2040 e PCRc1 que direcionam, respectivamente, a amplificação de regiões de aproximadamente 1,2 kb do DNA-A e 0,6 kb do DNA-B, do genoma dos begomovÃrus. Fragmentos de tamanho esperado foram amplificados a partir de amostras de plantas sintomáticas, confirmando a infecção por Begomovirus. O seqüenciamento desses fragmentos está em andamento para uma definição precisa da espécie viral.
Termos para indexação: Geminividae, diagnose, PCR.
O maracujazeiro (Passiflora edulis Sims) é uma cultura tÃpica de paÃses tropicais, os quais são responsáveis por aproximadamente 90% da produção mundial, destacando-se o Brasil como o maior produtor. No ano de 2000, a área colhida no Brasil foi de 33,4 mil hectares, tendo como os maiores produtores os Estados da Bahia, São Paulo, Sergipe, Minas Gerais, Goiás, EspÃrito Santo, Ceará, Pará, Rio de Janeiro e Alagoas (Agrianual, 2004). O Estado de Alagoas conta atualmente com 1.329 ha cultivados com maracujá, com produção anual de 7.561 t. (IBGE, 2002). Entretanto, a ocorrência de doenças pode dificultar o cultivo e causar reduções na produção dessa cultura. Entre as doenças importantes, estão as viroses, destacando-se como mais freqüente e mais destrutiva aquela causada pelo vÃrus do endurecimento dos frutos (Passion fruit woodiness vÃrus - PWV, Potyvirus) (Novaes et al., 2002).
No ano de 2002, Novaes et al. (2002) relataram a ocorrência de um begomovÃrus causando infecção de maracujazeiros no Estado da Bahia, sendo esse o primeiro registro da doença no Brasil. Após seqüenciamento de parte do DNA-A desse begomovÃrus, Novaes et al. (2003) sugeriram tratar-se de uma possÃvel nova espécie, propondo o nome Passion flower little leaf mosaic vÃrus. Infecção de maracujazeiro por begomovÃrus já havia sido relatada em Porto Rico (Brown et al., 1993).
Em maio de 2005, foram observadas, em duas propriedades no municÃpio de Anadia-AL, algumas plantas de maracujá com sintomas tÃpicos de infecção por geminivÃrus, ou seja, mosaico amarelo, redução de crescimento e encarquilhamento do limbo foliar. Observou-se também a presença de mosca-branca (Bemisia tabaci Gennadius) nas plantas infectadas. O objetivo do presente trabalho foi determinar a etiologia dessa doença no Estado de Alagoas. As plantas foram coletadas e posteriormente procedeu-se a extração do DNA total (DNA vegetal e DNA viral) de plantas sintomáticas e assintomáticas, utilizando-se do protocolo descrito por Ferreira & Grattapaglia (1996).
Amostras do DNA extraÃdo de plantas sintomáticas foram utilizadas para confirmar a infecção por geminivÃrus por meio da amplificação de fragmentos do genoma viral via PCR. Foram utilizados os oligonucleotÃdeos PAL1v1978 e PAR1c496, especÃficos para o componente A, e PBL1v2040 e PCRc1, especÃficos para o componente B (Rojas et al., 1993), dos begomovÃrus bipartidos. Esses oligonucleotÃdeos direcionaram a amplificação de um fragmento com aproximadamente 1.200 nucleotÃdeos para o componente A, compreendendo as extremidades 5' dos genes Rep e Cp e toda região comum, e de cerca de 550 nucleotÃdeos para o componente B, a extremidade 5' do gene Ns e a região comum. Como controle negativo, foram utilizadas alÃquotas de DNA extraÃdo de plantas sadias de maracujá e, como controles positivos, clones contendo fragmentos do genoma de um begomovÃrus previamente caracterizado (Lima et al., 2002).
Nas amostras provenientes de plantas sintomáticas, bem como nos controles positivos, foram observados produtos de amplificação de tamanho esperado, enquanto nenhum produto de amplificação foi observado nas reações contendo DNA extraÃdo de plantas sadias (Fig. 1). Os oligonucleotÃdeos utilizados são degenerados em muitas posições e têm sido considerados universais para a detecção de begomovÃrus em vários tecidos de plantas, assim como no inseto vetor (Rojas et al., 1993; Lima et al., 2002). O seqüenciamento do genoma desse begomovÃrus está em andamento visando à elucidação de sua espécie.

REFERÊNCIAS
AGRIANUAL: anuário de agricultura brasileira. São Paulo: FNP Consultoria e Comércio, 2004. 409p.
BROWN, J.K.; BIRD, J.; FLETCHER, D.C. First report of passiflora leaf mottle disease caused by a whitefly-transmitted geminivirus in Puerto Rico. Plant Disease, Saint Paul, v.77, p.1.264, 1993.
FERREIRA, M.E.; GRATTAPAGLIA, D. Introdução ao Uso de Marcadores Moleculares em Análise Genética. 2.ed. BrasÃlia: EMBRAPA-CENARGEN, 1996. 220p.
IBGE. Produção AgrÃcola Municipal: culturas temporárias e permanentes, Rio de Janeiro, 2002. v.29, p.1-88.
LIMA, G.S.A.; ASSUNÇÃO, I.P.; RESENDE, L.V.; FERREIRA, M.A.J.; VIANA, T.H.P.; GALLINDO, F.A.T.; FREITAS, N.S. Detecção de begomovÃrus associados a plantas invasoras no Estado de Pernambuco e caracterização molecular parcial de um isolado de Sida rhombifolia. Summa Phytopathologica, Botucatu, v.28, p.353-356, 2002.
NOVAES, Q.S.; FREITAS-ASTUA, J.; YUKI, V.A.; KITAJIMA, E.W.; CAMARGO, L.E.A.; REZENDE, J.A.M. Partial characterization of a bipartite begomovirus infecting yellow passion flower in Brazil. Plant Pathology, Berlin, v.52, p.648-654, 2003
NOVAES, Q.S.; FREITAS-ASTUA, J.; SÃO JOSÉ, A.R.; YUKI, V.A.; KITAJIMA, E.W.; REZENDE, J.A.M. Infecção mista de maracujazeiro com o Passion fruit woodiness virus e um begomovÃrus no Estado da Bahia. Fitopatologia Brasileira, BrasÃlia, v. 27, p.648, 2002.
ROJAS, M.R.; GILBERTSON, R.L.; RUSSELL, D.R.; MAXWELL, D.P. Use of degenerate primers in the polimerase chain reaction to detect whitefly-transmitted geminivirus. Plant Disease, Saint Paul, v.77, p.340-347, 1993.
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Trabalho publicado na Revista Brasileira de Fruticultura, Vol. 28, N° 03
I - Mestranda em Agronomia - Produção Vegetal, CECA/UFAL. BR 104, km 85, Rio Largo, Alagoas, CEP. 57100-000
II - Engenheira Agrônoma, bolsista de Pós-doutorado PRODOC/CAPES. E-mail: i_assuncao@hotmail.com
III - Engenheira Agrônoma, Doutora em Fitopatologia, CECA/UFAL. E-mail: epra@fapeal.br
IV - Engenheiro Agrônomo, Doutor em Fitopatologia, CCBi/UFAL. E-mail: gausandrade@yahoo.com.br
| Data Edição: 24/08/2007
Fonte: Revista Brasileira de Fruticultura
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