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FRUTAS FINAS

"Empresas apostam na produção e comercialização de frutas finas e delicadas como mirtilo e physalis, exigentes em cultivo, colheita e transporte, cujo alto valor agregado é o principal diferencial."

Beth Pereira

Embora representem um grande potencial econômico, frutas finas como mirtilo, framboesa, cereja, amora, pitaya e physalis, têm consumo restrito por causa do alto valor agregado, em decorrência da produção limitada, do manejo da difícil colheita, da exigência em mão-de-obra, dos cuidados no transporte e armazenagem e por serem altamente perecíveis. Os preços elevados fazem com que seu consumo fique praticamente restrito às pessoas com maior poder aquisitivo. Júlio Cesar Zanardi, gerente de importação da Irmãos Benassi, concorda que a demanda por frutas finas no País ainda é bastante limitada às pessoas da classe A. "Apenas no pico da safra, quando os preços caem, elas ficam mais acessíveis também às classes B, C e D", observa. Ele lembra que a amora é a que apresenta maior produção e preço mais reduzido, principalmente no pico da safra. Segundo Zanardi, as frutas finas são muito sensíveis, apresentando bastante dificuldade de manuseio. Isso faz que o preço do mirtilo, por exemplo, seja muito alto, tornando praticamente impossível consumi-lo fresco. No geral, essa fruta é comercializada congelada, sob a forma de polpa ou utilizada no preparo de doces e geléias.

Outra fruta difícil de ser comercializada fresca, na opinião de Zanardi, é a framboesa. "É muito sensível para ser comercializada fresca, exige cuidados na colheita e na pós-colheita, além de uma estrutura muito boa de armazenagem e refrigeração", explica. Já a pitaya, embora seja uma fruta nova no mercado, tem tido o consumo aumentado aos poucos, mas os preços ainda estão elevados. "Se aumentar a produção, a tendência é o preço cair e o consumo ampliar", analisa. Enquanto isso, para a physalis, a demanda é reprimida, por ser uma fruta pouco divulgada e pouco conhecida. "A venda é quase irrisória. O consumo tem aumentado, porém de forma insignificante."

EXCLUSIVO

A empresa Irmãos Benassi é distribuidora de frutas finas para o Brasil da italiana Italbras, com sede em Vacaria/RS. São Paulo responde pelo maior consumo dessas frutas, por uma questão de logística. Na safra, a empresa recebe remessas de frutas diariamente. Agora, porém, com a colheita chegando ao fim, o recebimento ocorre apenas duas vezes por semana. Para Zanardi, a forma de tornar essas frutas acessíveis ao consumidor brasileiro é reduzir o valor agregado, o que ele considera difícil, por causa do alto custo de produção e da alta exigência em mão-de-obra. "Daí a preferência por congelar a fruta", observa. "Um quilo de framboesa vale mais do que o quilo de filé mignon", compara, lembrando que, atualmente, na Ceasa, o quilo chega a R$ 35,00, o mesmo vale para a physalis. Enquanto isso, o preço do quilo da amora é R$ 30,00, atualmente, e, na safra, R$ 10,00; e da pitaya, R$ 10,00.

Há algumas frutas, porém, as quais o Brasil importa praticamente toda a necessidade de consumo. É o caso da cereja e da pêra, porque o clima não favorece o cultivo. Zanardi afirma que há testes em andamento, mas ainda não foram encontradas variedades que se adaptem ao nosso clima, até porque muitas delas precisam de muito frio. O Brasil produz uma ou outra variedade de pêra, mas, para atender à demanda, importa a fruta dos Estados Unidos, Chile, Espanha, Argentina, Itália e Portugal. "É uma fruta produzida e importada em escala, portanto, de preço barato", diz Zanardi.

INCENTIVO

Há três anos, a Nice Berry, empresa do Grupo Hathor, está incentivando o cultivo de frutas finas no Brasil. Possui pomares de physalis, blue berry (mirtilo), framboesa e amora nos municípios catarinenses de Itá e Bom Retiro, e nas cidades argentinas de Santa Isabel e Concórdia. Segundo Débora Schäfer, responsável pela área de Marketing de empresa, os 22 hectares cultivados no País com frutas finas produzem 60 toneladas, sendo a maior produção de amora e framboesa, cuja colheita se concentra de outubro a janeiro, com exceção do physalis, que produz o ano todo, cerca de 17 toneladas. Na Argentina, onde a produção é maior, 90% da colheita é exportada para os Estados Unidos e a Europa. Débora diz que o maior mercado de frutas finas é São Paulo, mas a idéia é trabalhar o Brasil como um todo. "O consumidor brasileiro aprecia frutas e acreditamos que a divulgação das propriedades e do sabor das frutas finas vai aumentar a demanda e, ao mesmo tempo, baixar os preços, tornando-as mais acessíveis", observa. "Já existe uma demanda, embora pequena. Temos realizado ações promocionais, que incluem degustação nos pontos-de-vendas, anúncios em revista e folders."

Débora aponta uma demanda mundial crescente por mirtilo. Ela conta que a Argentina deve produzir 140 toneladas este ano. Outra fruta com bom potencial de mercado é a framboesa, muito procurada pelo sabor e pela cor. "Grandes empresas a têm utilizado para enriquecer outros alimentos, principalmente sobremesas e lácteos", afirma e acrescenta que a demanda por amora também vai aumentar bastante. "A oferta está crescendo e o preço está ficando mais acessível para as empresas industrializarem os produtos."



A venda da produção da Nice Berry no Brasil é feita por meio de distribuidores nas Ceasas e no Ceagesp, em São Paulo, principalmente. A empresa vende as frutas in natura, em embalagens de 125 gramas, e também congeladas (IQF), visando à produção de geléias, iogurtes, tortas e sucos. Conhecido como fonte da juventude, pelo seu poder antioxidante, além de propriedades nutricionais, o blue berry (mirtilo) é comercializado em embalagens de 125 gramas, por cerca de R$ 8,00. "O mirtilo exige muita mão-de-obra porque os frutos têm de ser colhidos com bastante cuidado, para não se romperem, vão direto na embalagem com gelo no fundo." Segundo Débora, no ano passado, foram colhidas seis toneladas da fruta. "A idéia é dobrar a produção de mirtilo este ano", planeja e acrescenta que os pomares são novos e a planta entra no seu pico de produção a partir do quinto ano, produzindo até 15 anos.

A embalagem de amora é comercializada por R$ 4,00. "Além de maior produtividade, comparada a outras frutas finas, é mais fácil de conduzir." A framboesa é vendida por R$ 7,00 a embalagem de 125 gramas, o mesmo preço da sofisticada physalis, de sabor único e incomparável, que une o ácido e o adocicado, e é apreciada pelos grandes chefs da cozinha internacional. "Tem sido muito utilizada na decoração de pratos e na elaboração de bombons", diz Débora. Também, é consumida na forma de doces, sucos, sorvetes, geléias ou como acompanhamento de vinhos. Originária da Amazônia e dos Andes, possui alto teor de vitaminas A, C, fósforo e ferro, licopeno e betacaroteno, que tem efeito antioxidante. De olho no mercado internacional, a produção já está em fase de certificação. "A idéia é ter o EurepGap para exportar para o mercado europeu", diz Débora. Por enquanto, o foco da empresa é consolidar o mercado interno. "Apenas quando a oferta for maior do que a demanda, passaremos a exportar." Embora não seja orgânica, a produção não utiliza agrotóxicos. "Como as frutas são colhidas direto na embalagem, que vai para o processo de refrigeração, o consumidor tem à sua disposição uma fruta de excelente qualidade", diz.

POTENCIAL

O Programa Estadual de Fruticultura do Rio Grande do Sul tem estimulado o cultivo de frutas finas. Na região, as mais importantes são morango, amora e framboesa, mas já começam a despontar espécies como physalis e mirtilo. Mercado existe, há o interesse de compradores estrangeiros, mas ainda não há uma estrutura de logística no aeroporto, segundo o coordenador do programa, Paulo Lipp João. "Falta estrutura de câmara fria para o embarque dessas frutas congeladas via aérea. O aeroporto não está preparado para essa finalidade", afirma João. Ele acrescenta que, por essa razão, o fruticultor tem de preparar a carga e levar na hora para o aeroporto. "Além disso, muitas vezes, é preciso disputar lugar com outros produtos. Quando tem lugar no avião, a fruta é embarcada, caso contrário, volta para a propriedade. Por essa razão, a produção tem sido direcionada principalmente ao mercado de São Paulo, em especial para os sacolões de frutas finas."

Entre as frutas finas, a mais popular, segundo João, é o morango, com produção anual de 12 mil toneladas, direcionada basicamente para o mercado interno e muito pouco para exportação à Europa. Ele conta que "há cerca de cinco anos, produtores da Serra Gaúcha começaram a exportar a fruta, mas as vendas não avançaram mais por causa da baixa taxa cambial". Segundo ele, são 450 hectares cultivados com morango, cuja produtividade tem aumentado, graças ao uso da fertirrigação. Além disso, ele conta que há variedades americanas e espanholas que podem ser plantadas e colhidas o ano inteiro. De amora, são 120 hectares e produção anual de 1.000 toneladas e, de framboesa, cerca de 10 hectares e produção de 50 toneladas. O cultivo da framboesa vem crescendo na região de Vacaria, visando à exportação - principalmente para a Itália, por meio de empresas italianas sediadas na região, como a Italbras - e também para o mercado interno, principalmente São Paulo.

De acordo com João, a argentina Nice Berry tem fomentado o physalis, de forma ainda incipiente; além de mirtilo, na Serra Gaúcha, em Vacaria e Caxias do Sul, e no Alto Uruguai, em Erechim, onde está surgindo um novo pólo de cultivo de mirtilo. "Graças ao incentivo da Nice Berry, são 22 hectares de frutas finas e produção de 60 toneladas. Ele também lembra que "na região de Farroupilha está começando o cultivo de pitaia."

***

Matéria retirada da Revista Frutas e Derivados.
Site: http://www.ibraf.org.br/x-re/f-revista.html

Data Edição: 09/04/2007
Fonte: Revista Frutas & Derivados

 
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