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EFEITO DE ARILO NA GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE Passiflora alata curtis
EFEITO DE ARILO NA GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE Passiflora alata curtis EM DIFERENTES SUBSTRATOS E SUBMETIDAS A TRATAMENTOS COM GIBERELINA
O TodaFruta agradece a colaboração de Gisela Ferreira - Profa. Dra., IB/UNESP- Botucatu, SP, Cx. Postal 510, CEP 18618-000,. Tel (14) 3811-6053. E-mail: gisela@ibb.unesp.br; Anísio de Oliveira - Pós-graduando do Programa de Agronomia, UNIOESTE, Mal. C. Rondon-PR; João Domingos Rodrigues - Prof. Dr., IB/UNESP- Botucatu, SP, Cx. Postal 510, CEP 18618-000, Tel (14) 3811-6053. E-mail: mingo@ibb.unesp.br; Gláucia Bravo Dias - Acadêmica do Curso de Agronomia da UNIOESTE, Mal. C. Rondon-PR; Alessandra Maria Detoni - Acadêmica do Curso de Agronomia da UNIOESTE, Mal. C. Rondon-PR; Saionara Maria Tesser - Acadêmica do Curso de Agronomia da UNIOESTE, Mal. C. Rondon-PR; Andréa Maria Antunes - Pós-Graduanda do Programa de Ciências Biológicas (Botânica), Cx. Postal 510, CEP 18618-000, IB/UNESP- Botucatu-SP. Tel (14) 3811-6053. E-mail: andreamantunes@yahoo.com.br
REVISTA BRASILEIRA DE FRUTICULTURA, JABOTICABAL - SP, V. 27, N. 02
RESUMO
O objetivo deste trabalho foi avaliar a germinação de sementes de Passiflora alata Curtis sob o efeito da presença de arilo em diferentes substratos de papel e submetidas a pré-tratamentos germinativos. Foram realizados dois experimentos (com e sem remoção de arilo), com delineamento experimental inteiramente casualizado, com 8 tratamentos e 5 repetições de 25 sementes, em esquema fatorial 2x4 (substratos x tratamentos pré-germinativos) para cada experimento. Os tratamentos foram constituídos pelos substratos (sobre papel em gerbox e entre papel em rolo) e tratamentos pré-germinativos (sementes embebidas em GA3 e água, papel de germinação umedecido com GA3 e água). Pode-se verificar que a germinação das sementes sem arilo foi maior, em substratos sobre papel ou entre papel, umedecidos com GA3.
Termos para indexação: propagação, reguladores vegetais, giberelina, Passiflora sp.
INTRODUÇÃO
Com o aumento das áreas de produção de maracujazeiro-doce (Passiflora alata Curtis), exigem-se informações constantes sobre técnicas de propagação, principalmente porque parte das mudas é produzida a partir de sementes e existem relatos de que não apresentam germinação satisfatória (Osipi, 2000).
De acordo com Akamine et al. (1972), as sementes de Passiflora edulis Sims. e P. edulis f. flavicarpa Deg. não requerem limpeza, secagem ou armazenamento antes da semeadura. Porém, os autores afirmaram que a remoção da polpa e a lavagem das sementes aceleram a germinação. São José & Nakagawa (1988) verificaram que a presença de arilo diminuiu a percentagem de germinação em sementes recém-extraídas de P. edulis f. flavicarpa Deg. Deste modo, existem diversos trabalhos com métodos de extração de arilo, como os de Carvalho (1974), Ruggiero & Correa (1978), Silva (1988), Melo (1996).
Segundo Coneglian et al. (2000), sementes de P. alata submetidas a métodos de extração de arilo e/ou envoltórios, com pré-embebição em 300 mg L 1 de ácido giberélico e semeadas em papel umedecido com 300 mg L 1 de ácido giberélico, apresentaram maior percentagem de germinação e índice de velocidade de germinação.
Em experimento com a imersão de sementes de Passifloráceas em GA3, citocinina e etileno, Ferreira (1998) verificou, através de análise de componentes principais e de agrupamento, que GA3 e citocinina, isolados ou em mistura, promoveram maior incremento no processo germinativo de P.alata, obtendo-se 85% de germinação com 100 mg L-1 de GA3 .
Melo et al. (2000) obtiveram resultados efetivos na superação da dormência e emergência das plântulas de P. nítida através da imersão em solução de 1.500 e 2.000 mg L-1 de GA3. Ferreira et al. (2001b) observaram que sementes de maracujá-doce (Passiflora alata) não tiveram a percentagem de germinação alterada em função do tempo de embebição em GA3, no entanto 500 mg L-1 promoveu a maior percentagem de germinação.
Para a produção de mudas de maracujazeiro-doce (Passiflora alata), Ferreira et al. (2001a) verificaram que, a partir de 100 mg L-1 de ácido giberélico, se observou aumento na germinação e maior desenvolvimento inicial de mudas em sacos de polietileno preto com substrato comercial.
Pereira & Andrade (1994) recomendaram utilizar como substrato para semeadura de Passiflora edulis Sims. rolo de papel toalha ou a vermiculita em gerbox, por proporcionarem germinação de 42,3% e 48,6%, respectivamente, o que diferiu significativamente do tratamento sobre papel de filtro, que apresentou 29,1% de germinação.
Este trabalho teve por objetivo avaliar a germinação de sementes de Passiflora alata Curtis, sob efeito da presença de arilo, em diferentes substratos de papel e submetidas a pré-tratamentos germinativos.
 MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi desenvolvido na Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE, com sementes extraídas de frutos de maracujazeiro-doce (Passiflora alata Curtis) produzidos no pomar didático, em Pato Bragado - PR.
Foram realizados dois experimentos. No experimento 1, o arilo foi mantido (instalação após abertura do fruto) e, no experimento 2, o arilo foi extraído com uso de liquidificador. As sementes foram lavadas, colocadas à sombra para secar (4 dias) e armazenadas em geladeira (5-10ºC), por 3 dias. Antes da semeadura, receberam tratamento antifúngico com Rodhiauran (0,2%). O delineamento experimental utilizado para ambos os experimentos foi o inteiramente casualisado, com 8 tratamentos e 5 repetições de 25 sementes, em esquema fatorial 2x4 (substratos x tratamentos pré-germinativos). Os substratos empregados foram sobre o papel, em gerbox (SP) e entre papel, em rolo (SP), e os tratamentos pré-germinativos foram constituídos de sementes embebidas em água e em solução de GA3 e papel umedecido com solução de GA3 e água.
Para as sementes embebidas, empregaram-se 5 horas de imersão em solução com 100 mg L-1 de GA3 (i.a.) ou água destilada, sob aeração constante (Ferreira, 1998). A quantidade de solução de GA3 (100 mg L-1 de i.a.) e de água destilada para umedecimento do substrato foi calculada multiplicando-se o peso do papel pelo fator 2,5 (Brasil, 1992). O produto comercial de GA3 usado foi o Pro-Gibb. O teste de germinação foi realizado em câmara, no escuro e com temperaturas alternadas de 20ºC por 16 horas e 30ºC por 8 horas.
As avaliações foram realizadas diariamente após a semeadura e a cada dois dias após o início da germinação visível, quantificando-se a percentagem total de germinação (G), de plântulas normais (PN) e anormais (PA), sementes dormentes (SD) e mortas (SM), de acordo com Brasil (1992), e o índice de velocidade de germinação (IVG) conforme Silva & Nakagawa (1995). Foram consideradas sementes germinadas aquelas que apresentavam emissão de radícula até o final do experimento; portanto, independentemente de originarem plântulas normais ou anormais, a semente foi considerada germinada (Bewley & Black, 1994). No final do experimento, avaliou-se a percentagem de sementes com emissão de raiz primária (%SERP), tendo em vista que, mesmo após 28 dias da semeadura, havia germinação. Para a avaliação das sementes mortas, realizou-se o teste de tetrazólio. As sementes embebidas em água por 24 horas foram cortadas longitudinalmente, colocadas para colorir em solução de tetrazólio a 0,075% por três horas e realizadas as leituras de acordo com a escala diagramática de Malavasi et al. (2001).
Os dados de percentagem foram transformados em e os resultados submetidos à análise de variância, sendo as médias comparadas pelo teste de Tukey, a 1% e 5% de probabilidade.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Observa-se no experimento 1 que, sem a extração de arilo, ocorreram interações significativas entre substratos e pré-tratamentos para os parâmetros G, SERP, PN (Tabela 1 - Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo), SM e IVG (Tabela 2 - Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo), cujos maiores valores, exceto para SM, foram obtidos com o substrato umedecido com GA3 no rolo de papel. Para SD, não ocorreram interações significativas (Tabela 3 - Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo), portanto os resultados estão apresentados separadamente, e os menores valores foram obtidos com emprego do rolo de papel e substrato umedecido com GA3. Neste experimento, os tratamentos não provocaram diferenças significativas na percentagem de plântulas anormais, o que demonstra não ter havido efeito negativo dos tratamentos (Tabela 3 - Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo).
No experimento 2, verifica-se que as maiores percentagens de germinação foram obtidas com substrato irrigado com GA3, tanto sobre o papel como no rolo de papel, que não diferiram significativamente entre si (Tabela 4 - Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo). Tais resultados são confirmados pela percentagem de plântulas normais (Tabela 4 - Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo) e pelo IVG que, embora sem interações significativas (Tabela 5- Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo), apresentaram os maiores valores em substrato sobre papel e substrato umedecido com GA3. Além disso, verifica-se baixa percentagem de sementes com início de emissão de raiz (SERP) com esses tratamentos (Tabela 4 - Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo), o que se justifica pela elevada germinação com emprego de substrato sobre papel umedecido com GA3 (83,2%) e rolo de papel (84,0%) logo no início das avaliações e, conseqüentemente, maiores IVG e menores SD e SM (Tabela 6 - Ver tabela em arquivos relacionados mais abaixo).
Considerando-se os dois experimentos, observa-se, de modo geral, que a remoção do arilo foi benéfica ao processo germinativo, promovendo os maiores valores, o que confirma a remoção de substâncias inibidoras da germinação juntamente com a extração do arilo, e está de acordo com Akamine et al. (1972), São José & Nakagawa (1988), Melo (1996), entre outros.
Com a manutenção do arilo, observa-se que o umedecimento do substrato rolo de papel com GA3 foi o tratamento que incrementou significativamente a germinação (59,2%) embora este valor seja menor do que os obtidos com GA3 sobre papel (83,2%) e no rolo de papel (84,0%) em sementes sem arilo, demonstrando o efeito benéfico do GA3. Considerando, portanto, que o GA3 estimula a síntese de enzimas como a alfa amilase e a liberação de energia para a retomada do crescimento do embrião e conseqüente germinação (Salisbury & Ross, 1992; Taiz & Zeiger, 2004), o ácido giberélico (GA3) pode ser empregado no substrato para estimular a germinação mesmo em sementes com arilo, embora outras concentrações devam ser estudadas para atingir valores de germinação próximos àqueles aqui obtidos com a retirada de arilo e o emprego de 100mg L 1 de GA3, conforme verificado em trabalhos de Ferreira (1998), Coneglian et al. (2000), Ferreira et al. (2001b) e Melo et al. (2000).
Observa-se que, como ocorreram interações significativas, deve-se ter critério na escolha do substrato em função do pré-tratamento empregado, pois enquanto Pereira & Andrade (1994) obtiveram maior percentagem de germinação em rolo de papel, neste trabalho, verificou-se que ambos os substratos podem ser empregados, desde que retirado o arilo da semente e acrescido de GA3 em umedecimento do papel.
 CONCLUSÕES
A germinação das sementes de Passiflora alata Curtis foi incrementada com a extração do arilo, semeadura sobre papel em gerbox ou entre papel em rolo e com umedecimento do substrato com GA3 .
REFERÊNCIAS
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| Data Edição: 26/07/2006
Fonte: Revista Brasileira de Fruticultura
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