Stoller

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z

O QUE VOCÊ PROCURA?


MUDAS DE LARANJEIRA “VALENCIA” SOBRE DOIS PORTA-ENXERTOS SOB DIFERENTES MANEJOS DE ADUBAÇÃO

15/10/2010 - TodaFruta

Saiba mais sobre:
Laranja

Eduardo Augusto Girardi1, Francisco de Assis Alves Mourão Filho2, André Siqueira Rodrigues Alves3

Desde 2003, a produção de mudas de citros no Estado de São Paulo deve ser totalmente realizada em estufas teladas para prevenir doenças como o amarelinho, o greening e o cancro. Para os viveiristas, esta nova realidade ocasionou grandes mudanças na forma de produzir a muda, como, por exemplo, pelo uso de recipientes e substratos que não o solo. O manejo da adubação está entre as principais práticas para melhorar a produção das mudas em cultivo protegido. 

Entre os fertilizantes empregados na produção comercial das mudas, destacam-se os fertilizantes solúveis para fertirrigação e os de liberação controlada. A fertirrigação é mais comum nos viveiros, já que os fertilizantes são em geral mais baratos e é possível ajustar as quantidades aplicadas constantemente, conforme a avaliação das mudas. Por outro lado, podem ocorrer perdas de nutrientes por lixiviação devido a erros na irrigação. Já osfertilizantes de liberação controlada são uma tecnologia mais recente, em que os nutrientes são liberados de forma gradual pelo adubo. Este é formado por grânulos recobertos por alguma resina, sendo que fatores ambientais como maiores umidade e temperatura aceleram a liberação dos nutrientes. Esses fertilizantes apresentam aplicação bastante prática, mas o seu preço é maior.

Há ampla oferta de fontes de fertilizantes solúveis e de liberação controlada para os viveiristas de citros no Brasil. Assim, realizou-se um trabalho para avaliar a produção de mudas de laranjeira ?Valência? sobre os porta-enxertos limoeiro ?Cravo? e citrumeleiro ?Swingle? em função de diferentes manejos da adubação com estes fertilizantes. Essas variedades de copa e de porta-enxerto são as mais utilizadas em São Paulo na produção de laranja para processamento de suco.

A pesquisa foi conduzida em um viveiro comercial localizado em Conchal, SP, em parceria com a ESALQ/USP. Os porta-enxertos foram semeados em tubetes e depois transplantados para sacolas plásticas de 5,0 L. A enxertia foi realizada 90 depois, curvando-se o porta-enxerto para forçar o enxerto. O substrato foi um composto de casca de Pinus (Rendmax® Citrus). Os manejos da adubação se basearam em recomendações de fabricantes de fertilizantes. Foram eles: uso exclusivo de fertilizante de liberação controlada Osmocote® 22-04-08, na dose 2,5 kg m-3, incorporado no substrato via betoneira; adição de termofosfato magnesiano Yoorin® Máster 5,0 kg m-3 em cobertura; uso de fertilizante de liberação controlada mais fertirrigação após a enxertia; e uso de duas soluções completas de fertirrigação da linha Kristalon® sem outros adubos.    

A irrigação foi diária e por gotejamento, irrigando-se 120 mL por muda. Os dados coletados foram: comprimento e diâmetro do porta-enxerto, percentagem de brotação do enxerto, comprimento do enxerto, percentagem de mudas aptas à comercialização, ou seja, mudas com folhas maduras e altura mínima de 40 cm, e massas de copa e raiz. Todos estes dados foram analisados estatisticamente. Finalmente, também foi feita a análise química das folhas para determinar o estado nutricional das mudas.

Os manejos da adubação forneceram quantidades muito variadas de nutrientes às mudas, durante o período estudado. Entre alguns manejos, a variação foi superior a 1000% para um mesmo nutriente. Pesquisas anteriores recomendam uma solução nutritiva genérica contendo (mg L-1) N (200), P (18), K (152), Ca (140), Mg (29) e S (21) como adequada à obtenção de mudas de citros em substrato. Essas quantidades de nutrientes não foram fornecidas pelas recomendações de fabricantes avaliadas, exceto pela fertirrigação completa.

Os diferentes manejosda adubação não influenciaram no crescimento dos porta-enxertos, que foi similar. A brotação do enxerto da laranjeira ?Valência? foi superior em 12,5% sobre limoeiro ?Cravo?, 60 dias após a enxertia. O emprego de termofosfato magnesiano promoveu maior brotação das borbulhas. O uso desse fertilizante também adicionou quantidades de micronutrientes muito superiores, em particular o boro. A análise química das folhas indicou, porém, que as concentrações de nutrientes nas folhas foram adequadas aos citros, sem fitotoxidez aparente.

O comprimento do enxerto sempre foi maior em plantas sobre limoeiro ?Cravo?, sem haver efeito dos manejos da adubação. Entre 60 e 70% das mudas estavam prontas para venda, 120 dias após a enxertia. A única característica influenciada estatisticamente pela adubação foi a massa da copa, sendo esta maior quando se utilizou o fertilizante de liberação controlada adicionado de fertirrigação. Este manejo forneceu a maior quantidade de N, especialmente a partir do crescimento do enxerto. O uso de fertilizantes solúveis e de liberação controlada em conjunto é observado em viveiros para acelerar ou recuperar o crescimento de plantas.

Como explicar que quantidades diferentes de nutrientes tenham resultado em mudas com crescimento similar? Isto pode ser justificado por fatores como a eficiência agronômica dos fertilizantes aplicados. A irrigação diária também pode ter promovido lixiviação dos nutrientes, mesmo nos manejos com maiores quantidades fornecidas.

Ao final do trabalho, pode-se concluir que omanejo da adubação representado pelo uso exclusivo de fertilizante de liberação controlada 22-04-08 na concentração de 2,5 kg m-3 pode ser utilizado para a adequada formação de mudas de laranjeira ?Valência?. Esse manejo representou as menores quantidades de nutrientes aplicadas, mas elevado crescimento e aproveitamento comercial.

Os autores deste trabalham agradecem às empresas Citrograf Mudas, Yara Brasil Fertilizantes S.A. e The Scotts Company, pelo apoio técnico e fornecimento dos materiais utilizados neste experimento, e à Dra. Sônia Maria de Stefano Piedade (ESALQ/USP), pelas sugestões quanto à análise estatística.

Figura 1 ?Aplicação de fertilizante de liberação controlada em cobertura.

Figura 2 ?Vista geral de mudas de citros durante o primeiro fluxo de brotação do enxerto.

***

1Eng. Agr., Dr., Professor Adjunto do Departamento de Fitotecnia, Instituto de Agronomia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, RJ, girardi@ufrrj.br

2 Eng. Agr., PhD, Professor Associado do Departamento de Produção Vegetal, Escola Superior de Agricultura ?Luiz de Queiroz?, Universidade de São Paulo, Piracicaba, SP, famourao@esalq.usp.br

3Eng. Agr., MSc., Casa do Café, Franca, SP, andre@casadocafeagri.com.br

O TodaFruta agradece a contribuição dos autores, tendo a certeza de que estas informações serão úteis ao desenvolvimento da Fruticultura Brasileira.




Envie essa notícia para um amigo.

Seu nome:    Seu e-mail:

Nome do amigo:    E-mail do amigo:

Mensagem(opcional):



COMENTÁRIOS
Deixe seu comentário

Nome:

E-mail:


Comentário:



0 comentário(s):


Gráfica Santa Terezinha

Multiplanta

Fruteza

Fruticultura

Funep

Revista Brasileira de Fruticultura